Estado já registra 269 casos em 2026, mais que o dobro de todo o ano passado; Alexandre Padilha anuncia reforço da imunização e afirma que o SUS está preparado para enfrentar a doença
O avanço da mpox no Rio de Janeiro, que já registra um aumento de 192% nos casos em comparação com o mesmo período do ano passado, levou o Ministério da Saúde a reforçar os estoques de vacinas no estado. Nesta quarta-feira (4), o governo federal anunciou o envio de mais 2 mil doses do imunizante, ampliando para 3,5 mil o total destinado ao território fluminense em 2026. A medida chega em um momento de preocupação com a circulação do vírus e de cobranças por maior acesso à prevenção.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) mostram que 269 pessoas tiveram diagnóstico confirmado entre janeiro e 3 de novembro, contra 92 no mesmo período de 2025. O número também supera os 119 casos contabilizados durante todo o ano passado. Não houve registro de mortes em 2026.
Na capital fluminense, o crescimento também chama a atenção. Somente em setembro e outubro foram registradas 74 infecções, mais de sete vezes o número observado nos mesmos meses de 2025, quando houve dez confirmações. A concentração recente de diagnósticos reforçou a preocupação das autoridades sanitárias com a capacidade de identificar novos casos e interromper a transmissão.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia anunciado, no sábado (31), o reforço no envio de vacinas. Em publicação nas redes sociais, destacou a atuação conjunta do governo federal com estados e municípios e procurou diferenciar a situação epidemiológica atual daquela enfrentada durante o grande surto de 2022.
MPOX: o @minsaude mantém vigilância ativa junto aos estados e municípios do país, e o SUS está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos. Reforçamos o volume de vacinas para o Rio de Janeiro para o controle dos casos atuais, assim como a preparação para as concentrações de final de ano. A vacinação permanece direcionada aos grupos recomendados. É importante esclarecer que a situação atual, com 665 casos da doença no Brasil no ano, é bem diferente do surto enfrentado em 2022, quando chegamos a quase 11 mil pessoas infectadas, 1.527% a mais.
De acordo com nota do Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 665 casos de mpox em 2026, uma redução de 94% em relação a 2022, quando foram registrados mais de 10 mil diagnósticos. No Rio, a pasta federal informa 218 casos neste ano, número inferior ao balanço mais recente da secretaria estadual, que aponta 269 confirmações. A nota ministerial não explica a diferença entre os levantamentos.
Embora a circulação do vírus esteja abaixo dos níveis observados há quatro anos, o aumento recente das infecções no Rio evidencia a importância de manter a vigilância e garantir o acesso à vacinação, especialmente para pessoas com maior risco de desenvolver complicações.
Vacinação prioriza pessoas com HIV e imunossupressão grave
A nova remessa será distribuída aos municípios pela Secretaria Estadual de Saúde, enquanto a aplicação ficará sob responsabilidade das secretarias municipais. O Ministério da Saúde informou que novos envios poderão ocorrer conforme a necessidade identificada pelo estado.
A prioridade da estratégia nacional são pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³, condição que indica comprometimento grave do sistema imunológico e maior risco de evolução para formas graves da mpox.
A vacinação é realizada em duas doses, com intervalo de 28 dias. Para receber o imunizante, o público prioritário deve procurar o centro de referência onde já realiza acompanhamento, efetuar o cadastro e aguardar o agendamento.
Pessoas vivendo com HIV e contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox também poderão ser imunizados, conforme a disponibilidade de doses remanescentes.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Saúde, 953 doses haviam sido aplicadas no Rio de Janeiro até 2 de novembro. O reforço anunciado pelo governo federal ocorre em meio a relatos de dificuldades de acesso à vacinação. Em reportagem publicada nesta semana pela Agência de Notícias da Aids, representantes da sociedade civil alertaram para a falta de imunizantes, as deficiências na comunicação preventiva e a necessidade de preparar os serviços de saúde para o atendimento da população.
Apesar do anúncio, o Ministério da Saúde não detalhou quando as novas doses estarão disponíveis em cada município nem apresentou um cronograma de vacinação para os grupos contemplados.
Pessoas expostas ao vírus também podem receber a vacina
A estratégia de enfrentamento da mpox inclui a vacinação após exposição ao vírus. Pessoas que tiveram contato próximo com casos suspeitos ou confirmados devem procurar os serviços de saúde para avaliação do risco e orientação sobre a possibilidade de imunização.
Segundo o Ministério, a vacina deve ser aplicada preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato, período em que apresenta maior capacidade de prevenir a infecção. A administração também pode ocorrer em até 14 dias, embora a efetividade para evitar a doença seja menor. Nessa situação, a vacinação busca reduzir o risco de progressão para quadros graves.
Além da imunização, a resposta do SUS envolve identificação precoce dos casos, notificação, investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, isolamento e acompanhamento dos contatos. O objetivo é reduzir a transmissão e evitar o agravamento das infecções.
Reconhecer os sintomas é fundamental para interromper a transmissão
A mpox é uma doença viral que pode provocar lesões na pele e nas mucosas, incluindo a região genital, além de febre, dores musculares, cansaço e aumento dos linfonodos, conhecidos como ínguas. Em algumas pessoas, os sintomas podem ser discretos, com poucas lesões e ausência de febre, o que pode dificultar o reconhecimento da infecção.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico próximo com pessoas infectadas, especialmente com lesões e secreções, e também pode acontecer pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas.
A orientação das autoridades sanitárias é procurar atendimento diante de sintomas suspeitos, evitar contato íntimo e não compartilhar objetos pessoais. A higienização das mãos, a limpeza de superfícies e o cumprimento do isolamento recomendado também fazem parte das medidas de prevenção.
A doença pode atingir qualquer pessoa, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero. Embora muitos casos apresentem evolução favorável, indivíduos com comprometimento importante do sistema imunológico exigem atenção especial pelo maior risco de complicações.
Redação da Agência de Notícias da Aids
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