22/07/2019 - 15h21
IAS 2019: Pesquisa sobre vacina para o HIV pretende fazer testes em humanos ainda este ano

O Brasil está incluso na proposta para um novo teste de vacinas contra o HIV. O estudo está em fase III e, em breve, terá andamento para homens que fazem sexo com homens e pessoas transexuais. A pesquisa, chamada Mosaico, avaliará um esquema de quatro doses de uma vacina projetada para fornecer proteção contra as diferentes variedades de HIV em todo o mundo.“Estamos comprometidos em garantir que os resultados dos testes de vacina contra o HIV sejam generalizáveis ​​para as populações que carregam o maior fardo da infecção pelo HIV”, disse a Dra. Susan Buchbinder, presidente do protocolo Mosaico e diretora do Bridge HIV no Departamento de Saúde Pública de São Francisco.

Dra. Susan apresentou o estudo durante a 10ª Conferência do IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2019), na Cidade do México. Uma série de estudos anteriores foram realizados em macacos, e começou há 15 anos. Estes estudos refinaram a ideia da composição de uma vacina e determinaram o regime de dosagem mais eficaz.

A vacina a ser testada usa um vetor de adenovírus, que é um parente inofensivo do vírus do resfriado comum, para fornecer antígenos que estimulam as respostas imunes. “Essa combinação de antígenos não é encontrada em nenhum vírus individual, mas sim em fragmentos de vírus diferentes”, explica. 

 

Como vai funcionar

A Mosaico avaliará a vacina selecionada em 3.800 homens transgênero que fazem sexo com homens e transexuais, com idades entre 18 e 60 anos, que vivem na América do Norte, América do Sul e Europa, onde o HIV do subtipo B é predominante. Serão 24 centros de estudo nos EUA, nove no Brasil, cinco no Peru, quatro na Argentina e três no México. Na Europa estão na lista a Espanha, Itália e Polônia . Susan disse que as inscrições devem começar já em setembro.

Os indivíduos elegíveis devem ter comportamento considerado de risco  para o HIV, atendendo a um dos seguintes critérios nos últimos seis meses: tiveram sexo anal ou vaginal receptivo sem preservativo fora de uma relação monogâmica estável (12 meses); ter relacionamento sorodiferente; já ter sido diagnosticado com gonorreia, sífilis, ou  clamídia retal ou uretral; pessoas que fazem uso de drogas e estimulantes como cocaína ou anfetamina; pessoas que tiveram cinco ou mais parceiros sexuais. 

Todos os participantes receberão um pacote abrangente de prevenção. O estudo irá comparar a taxa de novas infecções por HIV no grupo que recebe a vacina, mais o pacote de prevenção, em comparação com aqueles que recebem o pacote de prevenção com o placebo.

 

Pesquisa aliada à PrEP

Susan ressaltou que “a vacina visa atender a necessidade de pessoas que ainda não estejam usando um método eficaz de prevenção. Por essa razão, os participantes em potencial serão orientados a acessar a PrEP durante o processo de triagem, e aqueles que optarem por usá-la não serão inscritos. Ou seja, os candidatos elegíveis serão vinculados a serviços de PrEP ou inscritos no estudo. No entanto, uma vez inscritos, os participantes podem decidir iniciar a PrEP a qualquer momento e permanecer no estudo.” 

Susan explica que permitir a desistência da PrEP durante o estudo, se deve ao reconhecimento de que a opinião do participante pode mudar ao longo do tempo. Os resultados do estudo são esperados para o ano de 2023.

O Mosaico é realizado através de parceria público-privada e envolve os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV com sede no Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, Comando de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Exército dos EUA e Janssen.

 

Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)

 

A Agência de Notícias da Aids cobre a 10ª Conferência do IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2019) com o apoio do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente transmissíveis.

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