MBP+ publica carta aberta e pede voto consciente em defesa do SUS, dos direitos humanos e da democracia

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Documento divulgado pelo Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids afirma que escolha no segundo turno deve considerar impactos das decisões políticas sobre a saúde, os direitos e a vida da população

Às vésperas do segundo turno das eleições, o Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids no Brasil (MBP+) divulgou uma carta aberta à sociedade brasileira em que chama atenção para a responsabilidade envolvida na escolha dos rumos do país. Sem declarar apoio a candidaturas ou partidos, o movimento defende que o voto seja orientado pela defesa da vida, pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), pelos direitos humanos, pela soberania brasileira e pela preservação da democracia.

Intitulado “O futuro se decide com consciência: pela vida, pelo SUS, pelos direitos humanos e pela democracia”, o documento parte da compreensão de que o voto ultrapassa uma decisão individual e tem consequências diretas sobre as políticas públicas, as prioridades dos governos e as condições de vida da população.

Para o MBP+, esse debate ganha importância especial para quem depende de políticas públicas permanentes de saúde. Na carta, o movimento lembra que, para as pessoas vivendo com HIV e aids, decisões tomadas no campo político se traduzem concretamente em acesso a medicamentos, exames, prevenção, serviços de saúde, acolhimento e enfrentamento ao preconceito e à discriminação.

Defesa do SUS no centro do debate

Um dos principais eixos da manifestação é a defesa do Sistema Único de Saúde. O MBP+ classifica o SUS como uma das maiores conquistas sociais do país e destaca seu papel na garantia do acesso universal e gratuito à promoção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento — incluindo toda a resposta brasileira ao HIV e às demais infecções sexualmente transmissíveis.

O movimento defende financiamento adequado, ampliação do acesso aos serviços, valorização dos trabalhadores da saúde e redução das desigualdades regionais. Também ressalta que nenhuma pessoa deve ser excluída do cuidado em razão de condição social, identidade, orientação sexual, raça, gênero, território ou condição de saúde.

A carta amplia essa discussão para outras populações historicamente expostas à desigualdade e a violações de direitos, mencionando pessoas negras, povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência, população em situação de rua e pessoas privadas de liberdade.

Direitos humanos e democracia

O documento também estabelece uma relação direta entre saúde, democracia e direitos humanos. Para o MBP+, dignidade, cidadania, igualdade, liberdade e combate à discriminação devem permanecer como princípios orientadores das decisões do Estado.

A Constituição Federal de 1988 aparece na carta como marco fundamental da redemocratização e da garantia de direitos. O movimento defende ainda o respeito ao resultado legítimo das eleições, à pluralidade de ideias, à liberdade de expressão, à organização da sociedade civil e à independência das instituições democráticas.

Ao abordar especificamente o segundo turno, o MBP+ afirma que cabe a cada eleitora e eleitor observar propostas, compromissos públicos, trajetórias e, principalmente, as consequências concretas das decisões políticas para a população.

O movimento faz questão de afirmar que a carta não pretende indicar em quem votar nem substituir a consciência individual. O chamado é para que cada pessoa avalie qual projeto de país está mais comprometido com a redução das desigualdades, a proteção de direitos e a garantia de condições dignas de vida.

“Por trás de cada política pública existem pessoas. Existem vidas que precisam de cuidado, direitos que precisam ser respeitados e comunidades que precisam ser ouvidas”, afirma o documento.

Na parte final, o tom se torna ainda mais enfático. O MBP+ declara que não aceitará retrocessos nem abrirá mão de direitos conquistados e reforça que participação popular, respeito à vida e justiça social são indissociáveis da democracia.

A carta é encerrada com uma mensagem que sintetiza o posicionamento do movimento: “O futuro do Brasil exige consciência, participação e compromisso com a vida.”

Leia aqui a íntegra da Carta Aberta à Sociedade Brasileira, divulgada pelo Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids no Brasil (MBP+).

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