Apesar dos avanços sem precedentes no combate ao HIV nas últimas décadas, crianças, meninas e mulheres continuam entre os grupos mais impactados pela epidemia. Dados divulgados pelo Unaids mostram que o mundo conseguiu reduzir em 43% as novas infecções por HIV e em 57% as mortes relacionadas à aids desde 2010. No entanto, cortes recentes no financiamento global ameaçam comprometer conquistas consideradas históricas.
Em 2025, cerca de 40,9 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo. Foram registradas 1,2 milhão de novas infecções e 570 mil mortes relacionadas à aids. O avanço do tratamento tem sido decisivo para essa trajetória positiva: 32,1 milhões de pessoas estavam em terapia antirretroviral no fim do ano, o equivalente a 78% de todas as pessoas vivendo com HIV. Entre aqueles que recebem tratamento, 95% alcançaram supressão viral.
Queda expressiva entre crianças
Um dos resultados mais significativos foi observado entre as crianças. As novas infecções infantis caíram 69% desde 2010, resultado atribuído principalmente à ampliação dos programas de prevenção da transmissão vertical, que ocorre durante a gestação, o parto ou a amamentação.
Em 2025, foram registrados 94 mil novos casos de HIV entre crianças em todo o mundo. Embora o número ainda preocupe especialistas, ele representa uma redução substancial em comparação com os níveis observados há 15 anos.
Segundo o Unaids, os programas de prevenção da transmissão vertical evitaram aproximadamente 4,8 milhões de infecções infantis entre 2000 e 2025. Além disso, 89% das gestantes vivendo com HIV receberam tratamento antirretroviral em 2025, um dos principais fatores para a redução dos casos entre recém-nascidos.
Os dados demonstram que o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento durante a gravidez continua sendo uma das estratégias mais eficazes para interromper a transmissão do vírus para os bebês.
Meninas e mulheres seguem desproporcionalmente afetadas
Apesar dos avanços globais, mulheres e meninas continuam enfrentando uma carga desproporcional da epidemia, especialmente na África Subsaariana.
A região concentra seis em cada dez novas infecções registradas entre mulheres e meninas. O cenário é particularmente preocupante entre jovens de 15 a 24 anos, faixa etária que contabilizou cerca de 160 mil novas infecções em 2025 — o equivalente a aproximadamente 3 mil novos casos por semana.
Especialistas apontam que fatores como desigualdade de gênero, violência, pobreza e dificuldades de acesso aos serviços de saúde continuam aumentando a vulnerabilidade das adolescentes e jovens mulheres à infecção pelo HIV.
Para o Unaids, a proteção desse grupo depende não apenas da ampliação das estratégias biomédicas de prevenção, mas também de políticas voltadas para educação, igualdade de gênero, enfrentamento da violência e garantia de direitos.
Cortes de recursos acendem alerta
O relatório também chama atenção para os impactos dos cortes recentes no financiamento internacional da resposta ao HIV.
Dados de 62 países mostram que, entre 2024 e 2025, o número de pessoas que receberam profilaxia pré-exposição (PrEP) caiu 38%. No mesmo período, o financiamento para programas de distribuição de preservativos despencou 93%, enquanto os recursos destinados a ações de prevenção diminuíram 80%.
A redução de investimentos também afetou a testagem para HIV, que registrou queda de 22% em programas apoiados por grandes doadores internacionais.
Segundo o Unaids, essas reduções podem atingir justamente as populações mais vulneráveis, incluindo crianças, adolescentes, jovens mulheres e comunidades que dependem de programas comunitários para acessar prevenção, diagnóstico e tratamento.
Embora os indicadores globais apontem para uma trajetória positiva no enfrentamento da epidemia, a agência alerta que manter os avanços exigirá investimentos sustentados e proteção das populações mais expostas ao risco. Caso contrário, o mundo corre o risco de desacelerar — ou até reverter — o progresso alcançado rumo à meta de acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030.
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Redação da Agência de Notícias da Aids



