Eleições 2026 no Amazonas: filas do SUS dominam promessas de Omar e Maria do Carmo em estado com alta taxa de aids

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Às vésperas do segundo turno, candidatos detalham propostas para hospitais, mutirões e atendimento especializado. Amazonas tem a segunda maior taxa de detecção de aids do país, mas programas não estabelecem metas específicas para HIV, PrEP e PEP

A quatro dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25 de outubro, a saúde pública ganhou protagonismo na disputa entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) pelo Governo do Amazonas. Reduzir as filas do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), ampliar o atendimento especializado e levar serviços de saúde ao interior estão entre os principais compromissos dos candidatos. Entretanto, em um estado que registra a segunda maior taxa de detecção de aids do Brasil, os programas de governo e as declarações públicas consultadas ainda não apresentam metas específicas para ampliar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do HIV.

A disputa se intensificou nas últimas semanas. Omar Aziz, que terminou o primeiro turno com 841.846 votos (40,63% dos válidos), enfrenta Maria do Carmo, que recebeu 507.335 votos (24,49%). Pesquisa Real Time Big Data divulgada na terça-feira (20) aponta o senador com 46% das intenções de voto, contra 41% da adversária. Considerando apenas os votos válidos, Omar aparece com 53%, enquanto Maria do Carmo registra 47%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 15 e 19 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Em setembro, a Agência de Notícias da Aids mostrou que os dois candidatos apostavam na interiorização dos serviços de saúde, diante das dificuldades de acesso enfrentadas pela população de um estado com 62 municípios e mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados. Na ocasião, os programas não apresentavam medidas específicas para HIV, aids, outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ou ampliação das profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP). No segundo turno, os candidatos acrescentaram compromissos para a rede assistencial, especialmente em relação às filas e à contratação de serviços.

Filas do SUS entram no centro do debate eleitoral

A demora para conseguir consultas, exames e cirurgias foi um dos principais assuntos do debate realizado pela TV Norte, em 13 de outubro. Questionados por telespectadores sobre as dificuldades enfrentadas pelos pacientes, Omar e Maria do Carmo apresentaram propostas para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.

O problema também esteve presente em entrevistas concedidas pelos candidatos durante o segundo turno. Reportagens publicadas em outubro apontam uma fila superior a 159 mil pessoas no Sisreg, além de uma demanda acumulada de mais de um milhão de exames. Ambos defendem a participação complementar da rede privada para acelerar os atendimentos, embora apresentem diferenças na organização das medidas.

Omar propõe negociar contratos com hospitais, clínicas e laboratórios particulares, com a intenção de reduzir significativamente a demanda reprimida nos primeiros 100 dias de governo. Segundo o candidato, as tratativas poderiam começar ainda durante a transição, caso seja eleito.

Maria do Carmo também promete adotar medidas nos primeiros 100 dias, mas defende inicialmente identificar os principais problemas do sistema e reorganizar os fluxos de atendimento. Entre as alternativas citadas estão a contratação de exames em laboratórios particulares, parcerias para cirurgias eletivas e utilização de hospitais privados no período noturno. Durante o debate, a candidata reconheceu que não seria possível eliminar permanentemente todas as filas.

Omar promete sete hospitais regionais e atendimento especializado

A construção de sete hospitais regionais no interior é uma das principais propostas de Omar Aziz. As unidades deverão oferecer consultas com especialistas, internações, cirurgias e atendimentos de urgência e emergência, reduzindo a necessidade de deslocamento dos pacientes até Manaus.

Durante o debate de 13 de outubro, o candidato reforçou que os novos hospitais deverão contar com profissionais especializados. Para a capital, prometeu um novo hospital geral, três maternidades e uma unidade dedicada exclusivamente à população idosa.

Outra novidade apresentada no segundo turno foi a intenção de levar a Rede Sarah Kubitschek, referência nacional em reabilitação, para Manaus. Ao responder a uma pergunta sobre o atendimento a pessoas com deficiência, Omar defendeu a ampliação dos serviços especializados e do acompanhamento multidisciplinar.

Seu programa também prevê fortalecer a telessaúde, criar polos regionais e ampliar a integração entre os serviços. No atendimento aos povos indígenas, o documento defende políticas culturalmente adequadas e maior presença das estruturas estaduais nos territórios.

Apesar dessas propostas, os materiais consultados não apresentam metas específicas para a resposta ao HIV, ampliação da testagem, prevenção combinada ou acesso ao tratamento antirretroviral.

Maria do Carmo defende hospitais no interior e ampliação das equipes fluviais

A interiorização também ocupa posição central no programa de Professora Maria do Carmo. A candidata propõe construir seis hospitais regionais em São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Tabatinga, Humaitá, Itacoatiara e Eirunepé, com atendimento especializado, leitos de UTI e serviços de média e alta complexidade.

O documento prevê ampliar as equipes de saúde fluvial e ribeirinha, fortalecer a telessaúde e recuperar unidades já existentes. A proposta busca aproximar a assistência das populações que vivem em comunidades distantes, onde o deslocamento até um hospital pode exigir longas viagens de barco.

Durante a campanha, Maria do Carmo também apresentou a intenção de reestruturar a Cidade Universitária para abrigar um hospital com centro de pesquisa, além de defender investimentos na modernização da rede hospitalar.

Na saúde da mulher, a candidata propõe fortalecer o atendimento integral e reduzir o tempo entre diagnóstico e tratamento de doenças graves, com referência específica ao câncer do colo do útero.

Para os povos indígenas, o programa prevê capacitação de profissionais para o atendimento intercultural e melhorias na logística de medicamentos e transporte, considerando as características linguísticas e culturais das comunidades.

Entretanto, assim como ocorre no plano de Omar, não foram localizados compromissos específicos para prevenção do HIV e das ISTs, ampliação da PrEP e da PEP ou fortalecimento dos serviços de atendimento às pessoas vivendo com HIV.

Amazonas registra o dobro da taxa nacional de detecção de aids

Os indicadores epidemiológicos ajudam a dimensionar os desafios do próximo governo. Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, o Amazonas registrou, em 2024, taxa de detecção de aids de 35,2 casos por 100 mil habitantes, a segunda maior do país, atrás apenas de Roraima, com 41,3. A média nacional foi de 17,4 casos por 100 mil habitantes.

Manaus também ocupa uma posição preocupante. Em 2024, a capital registrou 1.217 casos de aids, correspondentes a uma taxa de 53,4 por 100 mil habitantes, a segunda maior entre as capitais brasileiras, superada apenas por Belém, com 57,5.

O cenário não é recente. Em 2014, Manaus apresentava taxa de 63,1 casos por 100 mil habitantes. O indicador chegou a 69,7 em 2021 e permaneceu acima de 50 nos três anos seguintes.

Além dos novos diagnósticos, o acompanhamento das pessoas que vivem com HIV representa um desafio para a rede pública. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, em dezembro de 2025, quatro Serviços de Atenção Especializada (SAEs) e outras oito unidades acompanhavam 11.954 pessoas vivendo com HIV em Manaus.

Na prevenção, a capital contava, naquele período, com 14 unidades oferecendo PrEP e 11 disponibilizando PEP. A testagem rápida e outros insumos preventivos estavam disponíveis em 193 unidades municipais de saúde.

A PrEP é utilizada para prevenir a infecção pelo HIV antes de possíveis exposições ao vírus. Já a PEP é indicada após uma situação de risco e deve ser iniciada o mais rapidamente possível, em até 72 horas.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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