Eleições 2026 no Acre: Mailza e Alan Rick apostam em hospitais e redução das filas, enquanto taxa de detecção de aids cresce 65,9%

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Às vésperas do segundo turno, candidatos reforçam propostas para ampliar a assistência e levar especialistas ao interior. Programas contemplam saúde da mulher e regionalização do SUS, mas não estabelecem metas específicas para HIV e ISTs

A quatro dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25 de outubro, a ampliação da rede hospitalar, a redução das filas e o acesso a especialistas estão entre as principais promessas de Mailza Assis (Progressistas) e Alan Rick (Republicanos) para o Governo do Acre. Entretanto, em um estado onde a taxa de detecção de aids cresceu 65,9% em dez anos, os programas de governo e os compromissos públicos consultados ainda não apresentam metas específicas para prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Mailza chegou ao segundo turno após conquistar 218.760 votos (49,76% dos válidos), enquanto Alan Rick recebeu 141.859 (32,27%). Pesquisa Real Time Big Data divulgada na terça-feira (20) aponta a governadora com 59% dos votos válidos, contra 41% do adversário. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 15 e 19 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Em setembro, a Agência de Notícias da Aids mostrou que os programas dos candidatos priorizavam a ampliação da assistência, a saúde da mulher e a regionalização dos serviços, sem estabelecer compromissos próprios para HIV, aids, PrEP ou PEP. Na reta final da campanha, as candidaturas reforçaram medidas para a estrutura e o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não foram identificadas novas metas específicas para o enfrentamento do HIV.

Alan Rick promete novas UPAs, bases do Samu e hospital metropolitano

Na terça-feira (20), durante encontro com trabalhadores em Rio Branco, Alan Rick anunciou a proposta de construir duas novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) na capital, implantar bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nos 22 municípios acreanos e ampliar a presença de especialistas no interior.

Entre seus compromissos está a construção do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, no Segundo Distrito de Rio Branco, com previsão de 300 leitos, incluindo 60 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O candidato também propõe implantar um prontuário eletrônico unificado, fortalecer os hospitais regionais e realizar mutirões cirúrgicos anuais. O programa prevê ainda concluir e equipar o Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira, ampliar a assistência especializada no Alto Acre e melhorar as estruturas de hemoterapia nas regionais do estado.

Na atenção materno-infantil, Alan defende a ampliação de leitos pediátricos e neonatais, o fortalecimento do pré-natal e a recuperação das coberturas vacinais. O documento também prevê um Centro Estadual de Neurodesenvolvimento, Autismo e Reabilitação Infantil e ações de promoção dos direitos da população LGBTQIAPN+. Entretanto, não apresenta metas específicas para prevenção do HIV, testagem, tratamento antirretroviral ou ampliação da oferta de PrEP e PEP.

Mailza prioriza saúde da mulher, cirurgias e atendimento especializado

Atual governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis apresenta como prioridades a ampliação do Opera Acre, o fortalecimento da atenção primária e a expansão da assistência especializada. Seu programa, que reúne propostas no eixo “Saúde perto das pessoas”, prevê aumentar a oferta de consultas, exames e cirurgias, além de utilizar a telessaúde e o atendimento itinerante para alcançar comunidades com dificuldades de acesso.

Entre os compromissos estão a integração da rede assistencial, a implantação de um prontuário eletrônico unificado, a ampliação de leitos e a conclusão de estruturas hospitalares, incluindo etapas da Maternidade Marieta Messias Cameli. A candidata também propõe um pronto-socorro infantil, investimentos em oncologia e centros especializados de reabilitação no interior.

A saúde da mulher ocupa espaço importante no programa. Mailza prevê implantar uma Linha Estadual de Cuidado Integral à Saúde da Mulher, fortalecer o pré-natal de alto risco e ampliar a prevenção e o tratamento dos cânceres de mama e colo do útero e da endometriose. O documento também contempla o atendimento de crianças com deficiência e menciona o respeito à diversidade, incluindo a população LGBTQIA+.

Apesar dessas iniciativas, não foram localizadas propostas específicas para prevenção e tratamento do HIV, enfrentamento das ISTs, ampliação da PrEP e PEP ou metas para reduzir a transmissão vertical do vírus, que pode ocorrer durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Acre registra um dos maiores aumentos proporcionais na taxa de aids do país

Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, a taxa de detecção de aids no Acre passou de 8,8 casos por 100 mil habitantes, em 2014, para 14,6 em 2024, crescimento de 65,9%. Foi o segundo maior aumento proporcional entre as unidades da Federação no período, atrás apenas de Roraima. Embora o indicador acreano permaneça abaixo da média brasileira, de 17,4 casos por 100 mil habitantes em 2024, sua trajetória contrasta com a tendência nacional, que apresentou redução na última década.

A mortalidade por aids também aumentou. Entre 2014 e 2024, a taxa padronizada de mortalidade cresceu 34,8%. Em números absolutos, foram registrados 30 óbitos em 2024, contra 18 dez anos antes. Dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram ainda que o Acre notificou 353 novos casos de HIV em 2024, ante 317 em 2023. Em 2025, haviam sido contabilizados 283 casos até a divulgação do balanço estadual.

Na capital, Rio Branco, a rede municipal oferece testagem rápida, prevenção combinada e tratamento antirretroviral. Essas estratégias incluem preservativos, profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP) e medicamentos que, ao manterem a carga viral indetectável, impedem a transmissão sexual do HIV.

O que ainda falta nas propostas para HIV e ISTs?

Mailza Assis e Alan Rick apresentam compromissos para enfrentar problemas estruturais da saúde acreana, mas com prioridades distintas. Enquanto Mailza destaca a ampliação das cirurgias, a saúde da mulher e a integração da rede assistencial, Alan concentra propostas na regionalização dos serviços, na construção de hospitais e no atendimento de urgência e emergência.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, permanece a necessidade de conhecer como os candidatos pretendem integrar suas propostas de expansão da rede pública às estratégias de prevenção, diagnóstico e cuidado, especialmente diante do crescimento da taxa de detecção de aids e da mortalidade relacionada à doença na última década.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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