Eleições 2026 no Acre: aids cresce 65,9% em uma década, mas HIV não aparece como política específica nos planos

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Alan Rick lidera pesquisa Quaest, seguido pela governadora Mailza Assis; programas priorizam regionalização, redução de filas e ampliação da assistência, sem metas próprias para HIV/aids, ISTs, PrEP ou PEP

O Acre chega às Eleições 2026 com o senador Alan Rick (Republicanos) e a governadora Mailza Assis (PP) nas duas primeiras posições da disputa pelo Executivo estadual.

Pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto mostra Alan Rick com 33% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Mailza registra 24%. Tião Bocalom aparece em seguida, com 15%. O levantamento ouviu 804 eleitores entre os dias 23 e 26 de agosto e tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

A disputa ocorre em um estado com 884.372 habitantes estimados em 2025, distribuídos por 22 municípios e marcado por grandes distâncias, áreas rurais, comunidades ribeirinhas, indígenas e localidades de difícil acesso.

Na saúde, os dois planos de governo colocam entre as prioridades a regionalização dos serviços, a ampliação da atenção especializada, a redução das filas e o uso de tecnologia para aproximar a assistência da população.

Quando o recorte é HIV/aids, porém, os documentos não apresentam uma política específica para o tema. Também não foram localizadas propostas nominais para ISTs, PrEP ou PEP.

O dado epidemiológico ajuda a dimensionar essa ausência: entre 2014 e 2024, a taxa de detecção de aids no Acre passou de 8,8 para 14,6 casos por 100 mil habitantes, crescimento de 65,9%, o segundo maior aumento proporcional entre as unidades da Federação no período, atrás apenas de Roraima.

Quem é Alan Rick

Alan Rick Miranda é jornalista, administrador de empresas e senador pelo Acre, com mandato de 2023 a 2031. Natural de Rio Branco, exerceu dois mandatos como deputado federal antes de chegar ao Senado e atualmente é filiado ao Republicanos.

Seu plano de governo para 2027 a 2030 organiza as propostas em sete eixos e reserva um deles à “Saúde Acessível e Resolutiva”, com foco em regionalização, redução de filas e ampliação da média e alta complexidade.

Descentralizar especialidades e reduzir dependência da capital

O programa parte do diagnóstico de que a concentração dos serviços especializados em Rio Branco dificulta o acesso da população do interior.

Entre as propostas estão o fortalecimento dos hospitais regionais, ampliação de especialistas fora da capital, mutirões cirúrgicos anuais e expansão dos serviços diagnósticos.

O plano prevê concluir e equipar o Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira, ampliar o atendimento especializado no Hospital Regional do Alto Acre e fortalecer estruturas de hemoterapia nas regionais do Juruá, Tarauacá/Envira e Alto Acre.

Também aparecem ações para reorganizar urgência e emergência, ampliar leitos, estruturar serviços de diagnóstico oncológico, endoscopia, colonoscopia e broncoscopia e fortalecer o programa estadual de transplantes.

Centro de neurodesenvolvimento e saúde materno-infantil

Alan Rick propõe ainda criar um Centro Estadual de Neurodesenvolvimento, Autismo e Reabilitação Infantil, destinado ao diagnóstico e atendimento de crianças e adolescentes com TEA, TDAH, síndrome de Down e outros atrasos do desenvolvimento.

Na saúde da criança e da mulher, o programa prevê um pronto atendimento infantil, ampliação dos leitos pediátricos e neonatais, fortalecimento do pré-natal e da assistência às gestações de alto risco e ações para recuperar as coberturas vacinais nos 22 municípios.

Também está prevista a ampliação dos CAPS e dos serviços de saúde mental.

Na gestão do trabalho, o candidato propõe revisar o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos profissionais da saúde, realizar concursos e ampliar residências médicas e multiprofissionais.

Direitos e população LGBTQIAPN+

Fora do eixo específico da saúde, o programa de Alan Rick cita nominalmente a população LGBTQIAPN+.

O documento prevê um plano estadual de promoção de direitos, centros de referência especializados e ações de combate à discriminação, além de políticas para igualdade racial, pessoas com deficiência, população em situação de rua e migrantes.

Nos trechos consultados do plano, entretanto, não foram encontradas propostas específicas para HIV/aids, ISTs, PrEP ou PEP.

Quem é Mailza Assis

Mailza Gomes Assis é pedagoga, com MBA em políticas públicas, e é atualmente governadora do Acre. Antes de assumir o Executivo estadual, foi vice-governadora e senadora pelo estado. Sua trajetória na administração pública inclui passagem pela Secretaria Municipal de Administração de Senador Guiomard.

Seu plano de governo para 2027 a 2030 está organizado em dez eixos estratégicos. A saúde aparece no segundo, denominado “Saúde perto das pessoas”.

O documento também coloca entre seus princípios o respeito à diversidade e cita expressamente população negra, povos indígenas, comunidades tradicionais, pessoas com deficiência e população LGBTQIA+.

Ampliar Opera Acre, telessaúde e atendimento itinerante

Na saúde, Mailza apresenta uma rede estruturada em quatro programas. Entre as propostas está a ampliação do Opera Acre, com adesão às estratégias federais para aumentar a oferta de cirurgias, consultas, exames e outros procedimentos especializados.

O plano prevê mapear a demanda reprimida, definir prioridades clínicas e acompanhar os tempos de espera dos pacientes.

Outra proposta é fortalecer a Atenção Primária à Saúde em parceria com os municípios, integrando-a aos serviços estaduais de média e alta complexidade.

A candidata também propõe ampliar a Telessaúde e o atendimento itinerante para áreas remotas e comunidades de difícil acesso, com teleconsultas e apoio aos profissionais dos municípios.

Saúde da mulher recebe conjunto próprio de ações

O programa reserva espaço expressivo à saúde das mulheres.

Entre as propostas estão fortalecimento do pré-natal de alto risco, prevenção e tratamento dos cânceres de mama e colo do útero, implantação de uma Linha Estadual de Cuidado Integral à Saúde da Mulher e ampliação do atendimento à endometriose.

Também estão previstas ações específicas para disfunções do assoalho pélvico, assistência multiprofissional e procedimentos cirúrgicos quando indicados.

Na saúde infantil, Mailza propõe mapear crianças com deficiência e necessidades de cuidado especializado e organizar uma Rede Estadual de Desenvolvimento Infantil, Reabilitação e Neurodesenvolvimento.

Hospitais, oncologia e prontuário unificado

O programa prevê concluir etapas da Maternidade Marieta Messias Cameli, implantar um Pronto-Socorro Infantil e ampliar unidades especializadas.

Também estão previstas a entrega da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia de Rio Branco e a construção de Centros Especializados em Reabilitação em Cruzeiro do Sul e Brasiléia.

Na gestão, a candidatura propõe prontuário eletrônico unificado, integração dos sistemas de informação, reorganização regional da saúde e maior autonomia das regionais.

Apesar do detalhamento, não aparecem propostas específicas para HIV/aids, ISTs, PrEP ou PEP no eixo da saúde.

Raio-X do HIV/aids no Acre

Os números do Ministério da Saúde mostram uma trajetória distinta da tendência nacional.

Em 2014, o Acre apresentava taxa de detecção de aids de 8,8 casos por 100 mil habitantes. Dez anos depois, em 2024, a taxa chegou a 14,6, aumento de 65,9%. No mesmo período, a taxa brasileira caiu de 19,9 para 17,4 casos por 100 mil habitantes.

Embora a taxa acreana ainda esteja abaixo da média nacional, o crescimento proporcional na última década está entre os maiores do Brasil.

Outro dado merece atenção: entre 2014 e 2024, o Acre esteve entre apenas quatro estados onde houve **aumento da taxa padronizada de mortalidade por aids**. No estado, o crescimento foi de **34,8%**. Os demais foram Rio Grande do Norte, Piauí e Rondônia.

Em números absolutos, o Acre registrou 30 mortes por aids em 2024, contra 18 em 2014.

Estado registrou 353 novos casos de HIV em 2024

Dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram que o Acre registrou 353 novos casos de HIV em 2024, ante 317 em 2023. Em 2025, foram contabilizados 283 casos até a divulgação do balanço estadual.

Entre gestantes, foram 14 registros em 2024 e 13 em 2025. A Secretaria destacou que o estado vinha trabalhando também com a perspectiva de eliminação da transmissão vertical do HIV.

Na capital, Rio Branco notificou 202 novos casos de HIV em 2024 e outros 152 até outubro de 2025. A rede municipal oferece testagem rápida, prevenção combinada e tratamento antirretroviral.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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