
Desde o último sábado (6), o Brasil vive o luto da morte de Ziraldo aos 91 anos de idade, um dos maiores artistas do país cujas obras extrapolaram as fronteiras e foram traduzidas para diversos idiomas e publicadas no mundo inteiro, contabilizando mais de 10 milhões de exemplares vendidos.
Um dos fundadores dO Pasquim, lendário veículo que era crítico à Ditadura Militar brasileira, Ziraldo sempre teve o traço colorido e leve, mas igualmente ácido e crítico, atentando para as grandes questões dos direitos humanos, entre elas o HIV/aids. Entre 2011 e 2014, Ziraldo uniu forças com as Nações Unidas e liderou a criação de uma série de oito selos que promoviam a prevenção e a solidariedade às pessoas vivendo com HIV. Os selos foram comercializados na Argélia, Burkina Faso, Luxemburgo, Peru, Tunísia, Turquia e Ucrânia. Apenas no Brasil, mais de 2.4 milhões de unidades circularam entre 2011 e 2014.
Segundo Claudia Velasquez, diretora e representante do UNAIDS no Brasil, o legado de Ziraldo vai nos acompanhar e inspirar por muitas gerações. “Ele emprestou seu talento genial para defender os direitos humanos, a democracia e outras causas muito importantes, como o fim do estigma e da discriminação contra as pessoas vivendo com HIV/AIDS”, afirmou.

Arte da cartilha de Direitos Humanos elaborada por Ziraldo em 2008 a pedido do Governo Federal
Os selos criados pelo artista mineiro de Caratinga informavam sobre meios de infecção, sugeriam o uso de camisinha nas relações hétero e homossexuais, falavam da importância das seringas descartáveis de uso único e até faziam menção a um medicamento de disfunção erétil que ganhava popularidade na época e que revolucionou a sexualidade humana, principalmente da pessoas da terceira idade. “A campanha assinada por ele teve reconhecimento mundial de agências especializadas no tema. O traço do Ziraldo era reconhecível nos desenhos e as informações eram passadas de maneira bem humorada, sem um tom professoral ou terrorista sobre o vírus” lembra Samantha Quadrat, professora de História da UFF, onde desenvolve com os apoio do CNPq o projeto “História Pública e memória da epidemia de HIV/aids no Brasil e nos Estados Unidos”. “É necessário voltar a engajar artistas nas campanhas que tenham entrada em diferentes classes sociais, gêneros e etnias, com uma linguagem direta e clara”, adiciona a professora.

O cartunista Ziraldo (Crédito: Ana Colla/Divulgação)
Para a cartunista Laerte, todo engajamento é importante quando se trata de produzir mudanças de comportamento profundas. “Artistas, em especial humoristas, podem usar com mais facilidade a chave necessária para obter o entendimento e a confiança das pessoas”, afirmou em entrevista à Agência Aids.
Em 2008, o Governo Federal encomendou a Ziraldo a produção de uma cartilha de direitos humanos, que pode ser baixada neste link.
Marina Vergueiro (marina@agenciaaids.com.br)
Dicas de entrevista:
Unaids Brasil – brazil@unaids.org
Samantha Quadrat – samantha.quadrat@gmail.com



