XI Encontro Nacional do MNCP começa nesta quarta (28) em Fortaleza e celebra 22 anos de luta, acolhimento e protagonismo das mulheres vivendo com HIV

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Começa nesta quarta-feira (28), em Fortaleza (CE), o XI Encontro Nacional do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), um dos mais importantes espaços de articulação política, formação e fortalecimento coletivo de mulheres vivendo com HIV no Brasil. O encontro segue até o dia 31 de maio e marca os 22 anos de existência do movimento, reconhecido nacionalmente por sua trajetória de resistência, incidência política e defesa dos direitos humanos.

Com o tema “Uma história de Memórias, Conquistas e Desafios”, o encontro reúne lideranças, ativistas, representantes de movimentos sociais, pesquisadoras, profissionais da saúde, gestores públicos e mulheres de diversas regiões do país para debater os desafios atuais do enfrentamento ao HIV/aids, os impactos das desigualdades sociais na vida das mulheres e os caminhos para fortalecer políticas públicas mais inclusivas e humanizadas.

O XI Encontro Nacional do MNCP representa um espaço de reencontro, escuta, memória e construção coletiva. Ao longo de quatro dias, as participantes irão compartilhar experiências, fortalecer redes de apoio e refletir sobre os desafios que atravessam a vida das mulheres vivendo com HIV, como o estigma, o preconceito, a violência de gênero, o racismo, a pobreza e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

A programação tem início nesta quarta-feira com o credenciamento das participantes e uma mesa de abertura que reunirá representantes do MNCP, movimentos sociais, órgãos governamentais e agências internacionais. Também será apresentado um vídeo institucional que revisita a trajetória do movimento e suas principais conquistas ao longo dessas mais de duas décadas de atuação.

Ao longo dos próximos dias, os debates abordarão temas centrais para a vida das mulheres vivendo com HIV, como saúde integral em todos os ciclos da vida, menopausa e climatério, determinantes sociais da saúde, violência contra as mulheres, identidade de gênero, bissexualidade, autonomia, acesso às novas tecnologias em HIV e os desafios políticos enfrentados pelos movimentos sociais.

A programação inclui ainda grupos de trabalho, atividades de formação política, espaços de memória e homenagens às mulheres que fizeram parte da história do movimento. Um dos momentos mais simbólicos será a atividade “Femenagens”, dedicada a reconhecer trajetórias de luta, afeto e resistência que ajudaram a construir o MNCP ao longo dos anos.

Outro destaque do encontro será o debate “Conversa afiada: Entre Conquistas e Ameaças — Tecendo Memória, Enfrentando o Presente, Disputando o Futuro”, que refletirá sobre os riscos de apagamento das mulheres vivendo com HIV nos espaços de participação política e sobre a importância da memória coletiva como ferramenta de resistência.

O último dia do encontro será marcado pela apresentação das atividades das representações nacionais do movimento e pela realização das eleições para os espaços de incidência política e organizativa do MNCP, reafirmando o compromisso democrático e coletivo que marca a trajetória da organização.

Fundado há 22 anos, o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas tornou-se referência na luta pelos direitos das mulheres vivendo com HIV no Brasil. Ao longo de sua história, o MNCP contribuiu diretamente para a formulação de políticas públicas, para o fortalecimento da participação social e para conquistas importantes na área da saúde, da prevenção e dos direitos humanos.

Sua atuação também foi fundamental na construção da Agenda Nacional Prioritária para o Enfrentamento do HIV/aids, Tuberculose, Hepatites Virais, HTLV, Sífilis e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis em Mulheres Vulnerabilizadas, além de participar ativamente de processos relacionados à eliminação da transmissão vertical do HIV em diferentes territórios do país.

Ao celebrar seus 22 anos de existência, o MNCP reafirma sua essência: transformar dor em acolhimento, medo em potência coletiva e invisibilidade em luta organizada.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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