
Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids
A resposta ao recente anúncio da ViiV Healthcare sobre o aumento da produção de cabotegravir de ação prolongada, um medicamento injetável para profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), trouxe críticas e demandas urgentes da Diretora Executiva do Unaids, Winnie Byanyima. Essa nova fórmula, que possibilita a prevenção do HIV por meio de injeções periódicas, tem o potencial de transformar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente as mais vulneráveis. No entanto, Byanyima destaca que a ampliação do acesso a esse tratamento precisa ser acelerada e mais inclusiva.
Em comunicado, Winnie Byanyima afirmou que a nova opção injetável é vital para pessoas que enfrentam dificuldades com o uso diário de pílulas, seja por questões de estigma social ou por viverem sob leis que criminalizam. “A chegada das injeções de ação prolongada é realmente uma virada de jogo – elas podem ajudar a prevenir milhões de novas infecções por HIV”, destacou.
Grupos mais afetados

Entre as populações que mais necessitam do medicamento, a diretora do Unaids apontou meninas adolescentes, pessoas LGBTQ+, profissionais do sexo e usuários de drogas. Segundo ela, a simplicidade do tratamento injetável, administrado a cada poucos meses, representa uma solução crucial para quem enfrenta obstáculos ao uso diário de medicamentos em razão de preconceito ou exclusão social.
Porém, a diretora do Unaids ressaltou que, para o impacto ser efetivo, é fundamental garantir que essas inovações estejam ao alcance de todos que delas precisam. “Isso só acontecerá se todos que se beneficiariam tiverem acesso”, alertou. Ela destacou que a demora na disponibilização de medicamentos pode resultar em vidas perdidas, enfatizando a urgência de se garantir um acesso global e inclusivo.
Críticas à exclusão de países de baixa e média renda
Apesar de reconhecer o aumento da produção como um “primeiro passo bem-vindo”, Byanyima criticou a postura da ViiV em não incluir muitos países de baixa e média renda no acesso a versões genéricas do cabotegravir de ação prolongada. Segundo ela, “quando os medicamentos salvam vidas, os atrasos são fatais.”
Byanyima também revelou que a ViiV tem imposto barreiras ao acesso de versões genéricas de outro medicamento para HIV, o dolutegravir, destacando o desafio legal que a empresa apresentou contra a Colômbia, um país que buscava acesso a uma versão genérica do medicamento. “A ViiV continua excluindo muitos países de baixa e média renda dessa possibilidade”, disse.
Apelo à ação imediata
O Unaids pediu que a ViiV avance rapidamente e tome medidas mais ousadas, como a definição de preços acessíveis e sem fins lucrativos, além de permitir a produção de versões genéricas em todos os países de baixa e média renda. “O anúncio da ViiV é um primeiro passo, mas não é suficiente”, enfatizou Byanyima. “Eles precisam demonstrar liderança no acesso a medicamentos, abandonando desafios legais prejudiciais e permitindo que todos os países tenham acesso às versões genéricas.”
Ela concluiu pedindo que a ViiV ajude a garantir que esse avanço científico realmente atinja seu potencial e contribua para o fim da pandemia de aids.
Clique aqui e leia na íntegra a resposta do Unaids
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Redação da Agência de Notícias da Aids



