Winnie Byanyima deixa o Unaids após sete anos e assume novo desafio internacional na defesa do meio ambiente

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Da luta pela democracia em Uganda à liderança mundial contra a aids, a ativista construiu uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, da igualdade de gênero e da justiça social. Em janeiro de 2027, assumirá a presidência do conselho de uma organização internacional.

Aos 67 anos, Winnie Byanyima se prepara para encerrar um dos capítulos mais importantes de sua trajetória. Depois de sete anos à frente do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), a dirigente ugandense assumirá, em janeiro de 2027, a presidência do conselho de curadores do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED). A nomeação, anunciada nesta terça-feira (3), marca uma nova etapa na carreira de uma liderança que fez da defesa dos direitos humanos e do enfrentamento das desigualdades o centro de sua atuação política.

Engenheira de formação, ex-parlamentar e uma das vozes mais influentes da resposta global ao HIV, Byanyima deixa o Unaids em um momento delicado, marcado pela redução do financiamento internacional e pelas ameaças aos programas de prevenção e tratamento. Sua saída foi anunciada em 26 de outubro, durante a sessão extraordinária do Conselho de Coordenação, que rejeitou a proposta de encerramento do programa e aprovou diretrizes para sua reformulação.

Na ocasião, assegurou que permanecerá à frente da organização com toda a sua “energia e determinação até o último dia do meu mandato”, previsto para 31 de dezembro.

Da resistência política à liderança internacional

Nascida em Uganda, em 1959, Winnie Byanyima cresceu em um país marcado por conflitos políticos e autoritarismo. Formou-se em Engenharia Aeronáutica pela Universidade de Manchester, no Reino Unido, e concluiu mestrado em Engenharia Mecânica na Universidade de Cranfield.

Envolvida na luta pela democracia, foi eleita por três mandatos para o Parlamento ugandense, onde se destacou na defesa dos direitos das mulheres. Liderou a primeira bancada parlamentar feminina e contribuiu para a inclusão de garantias de igualdade de gênero na Constituição de 1995.

Também fundou o Fórum de Mulheres pela Democracia (FOWODE) e ocupou cargos estratégicos na União Africana e no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Entre 2013 e 2019, dirigiu a Oxfam Internacional, destacando-se na defesa da justiça econômica e no combate à pobreza e à concentração de riqueza.

Sete anos de desafios na resposta global à aids

Ao assumir o Unaids, em novembro de 2019, Byanyima levou para a saúde pública a experiência acumulada nos movimentos sociais e nas instituições internacionais. Sua gestão foi marcada pela defesa de que o enfrentamento à aids exige mais do que avanços científicos: é necessário combater as desigualdades que impedem milhões de pessoas de acessar os serviços de saúde.

Ao longo do mandato, defendeu a ampliação da prevenção combinada, o acesso universal aos antirretrovirais, o protagonismo das pessoas vivendo com HIV e o fim das leis discriminatórias. Também deu visibilidade às vulnerabilidades de mulheres, meninas, pessoas LGBTQIA+ e outras populações historicamente excluídas.

Durante a pandemia de Covid-19, tornou-se uma defensora do acesso equitativo às vacinas e tecnologias de saúde. Nos últimos anos, intensificou as cobranças por financiamento internacional diante dos cortes que ameaçam conquistas históricas na resposta ao HIV.

Sua despedida acontece em meio à reformulação do Unaids. Em 26 de outubro, o Conselho de Coordenação decidiu preservar o programa, mas estabeleceu diretrizes para uma estrutura mais enxuta e integrada às agências das Nações Unidas.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o Unaids agradeceu à dirigente pela liderança em um período de profundas transformações, destacando sua defesa de políticas baseadas em evidências científicas, direitos humanos e participação das comunidades.

Novo capítulo na defesa da justiça climática

O novo destino de Byanyima será o Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), organização independente com sede no Reino Unido e mais de cinco décadas de atuação na pesquisa e na formulação de políticas de desenvolvimento sustentável.

A instituição trabalha na conexão entre mudanças climáticas, perda da biodiversidade, pobreza e desigualdade, especialmente nos países e comunidades mais afetados pelas crises ambientais. Como presidente do conselho de curadores, Byanyima participará da orientação estratégica e da supervisão institucional da organização.

A mudança representa uma continuidade de sua trajetória na defesa da justiça social. Ao longo da carreira, a dirigente tem sustentado que problemas globais, como epidemias, pobreza e crises ambientais, exigem respostas fundamentadas na ciência, na participação social e no compromisso político.

O secretário-geral das Nações Unidas deverá designar uma direção executiva interina para o Unaids a partir de janeiro de 2027, enquanto será conduzido o processo de escolha de seu sucessor. Byanyima encerra seu mandato deixando o desafio de preservar os avanços alcançados na resposta global ao HIV e garantir que as comunidades continuem no centro das decisões.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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