A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, fez um apelo contundente contra as desigualdades globais ao discursar para chefes de Estado durante a Cúpula do G20, onde também celebrou a aprovação da Declaração dos Líderes. O documento reconhece que a “profunda desigualdade” é um dos fatores que agravam crises sanitárias como a aids e outras pandemias, e pede maior ação internacional para fortalecer a segurança em saúde.
A declaração destaca que países de baixa e média renda enfrentam severas restrições de “espaço fiscal” e defende ações coordenadas para enfrentar vulnerabilidades relacionadas ao endividamento. O texto também incentiva novos mecanismos de financiamento sustentáveis para a saúde — tanto por meio de receitas domésticas quanto por iniciativas multilaterais como o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Os líderes ainda apontam que o Acordo de Pandemias da Organização Mundial da Saúde pode acelerar o acesso a medicamentos e reforçam o papel central das Nações Unidas para avançar nessas agendas.
Byanyima falou aos líderes do G20 e, no início do mês, aos ministros da Saúde do bloco. Suas participações ocorreram no âmbito do Comitê Extraordinário de Especialistas Independentes sobre Desigualdade Global, comissão criada pelo presidente Cyril Ramaphosa para propor soluções estruturantes. Hoje, o comitê apresentou seu relatório e a proposta de criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade. No encontro ministerial de saúde, Byanyima também participou das discussões promovidas pelo Global Council on Inequality, AIDS, and Pandemics, que defende medidas como moratória da dívida, novo mecanismo de financiamento global, reforma no acesso a medicamentos e mais atenção aos determinantes sociais e às comunidades.
Ao agradecer a liderança sul-africana no tema, Byanyima afirmou: “Agradeço à África do Sul por colocar a questão da desigualdade no coração da agenda internacional.” Em homenagem a Ramaphosa, declarou: “[Ele está] iluminando o caminho para um mundo que é tanto mais justo quanto mais seguro. Sou uma africana orgulhosa novamente hoje.”
A diretora-executiva também elogiou a decisão do G20 de incorporar no documento final propostas defendidas pelo Comitê Extraordinário e pelo Global Council, mas cobrou resultados imediatos: “É necessária ação concreta agora sobre a redução das desigualdades, suspensão e reestruturação de dívidas e financiamento da resposta global à aids e às pandemias de hoje e de amanhã.”
Redação da Agência de Notícias da Aids




