
Estima-se que 80% da população mundial vai ter contato com o vírus do HPV (papilomavírus humano) em algum momento da vida, segundo a OMS. No entanto, não são todas as pessoas que vão desenvolver algum tipo de sintoma. Na maioria dos casos, o sistema imunológico —a defesa do nosso corpo— é capaz de controlar o vírus e mantê-la “adormecido”.
Médicos consultados por VivaBem explicam que pode levar até 20 anos (ou menos, a depender do tipo do vírus) para desenvolvimento de lesões a partir do primeiro contato com o HPV.
Apesar de muitas pessoas relacionarem a doença com os mais jovens, o HPV pode aparecer em idades mais avançadas.
Idades de pico de infecção do HPV
25 e 45 anos são consideradas as idades de pico para a infecção entre as mulheres. De acordo com estudos e especialistas, a faixa dos 20 anos e, mais para a frente, a dos 40, são mais comuns de aparecerem lesões causadas pela doença. O vírus fica latente no organismo. Após alguns anos da infecção inicial, que pode variar de dois a 20, a paciente pode apresentar lesões pré-cancerígenas, principalmente após os 40 anos.
Os 25 anos têm relação direta com o início da vida sexual. O mais comum, segundo os médicos, seria o surgimento das verrugas (papilomas ou condilomas) na região perianal e genital, como vulva, vagina, colo do útero, além de orofaringe, da boca e da garganta. “Apesar de não serem lesões cancerígenas, elas causam desconforto e um impacto psicológico muito grande”, explica Rogério Felizi, ginecologista e coordenador do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP).
Já aos 45, as lesões já podem ser das mais avançadas, pré-cancerígenas. A infectologista Eliana Bicudo, assessora técnica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), explica que a faixa etária de 40 a 45 apresenta um “pico” de casos de câncer de colo de útero.
“A gente sabe que os 25 anos têm relação com atividades sexuais, mas o outro pico, de 45 anos, estaria mais relacionado com o câncer mesmo. Mais de 40% dos diagnósticos do câncer de colo de útero acontecem entre 40 e 45 anos, mais ou menos”, diz Eliana Bicudo, infectologista.
Por isso a importância da vacinação contra HPV. Atualmente, o imunizante está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. No ano passado, a orientação do Ministério da Saúde mudou de duas doses da vacina para uma dose.
Mas mesmo após início da vida sexual, há orientação para vacina. No entanto, o paciente só vai encontrá-la nas clínicas privadas. Outro ponto é que no serviço privado, existe a vacina nonavalente —que protege contra nove tipos de HPV. Atualmente, há clínicas particulares que cobram de R$ 800 a R$ 900 por dose —o indicado são três doses, diferente do SUS, por exemplo.
Mas não é só a vacina que ajuda. Exames de prevenção, como papanicolau, presentes na rotina das pessoas com útero, são fundamentais para o rastreamento de uma possível infecção.
Aliás, uma infecção prévia do HPV não garante imunidade. Os médicos reforçam que só a vacina é capaz de oferecer uma proteção adequada contra a infecção. “Essa ‘imunidade natural’ pode cruzar com todos os tipos de HPV”, diz Bicudo. São mais de 100 tipos, sendo o 6 e 11 causadores das verrugas (baixo risco) e 16 e 18, pelos cânceres (alto risco).
“A proteção causada pela doença é baixa, não chega a 50%, ou seja, você pode ter de novo. Também não sabemos por quanto tempo dura essa proteção. Os riscos continuam sendo altos e, por isso, indicamos a vacinação. Temos estudos que mostram que a proteção chega até 100% em quem tomou”, diz dra. Eliana Bicudo.
Previna-se contra o HPV
Use camisinha
Vacine-se
Realize exames de rotina com ginecologista em dia, como o papanicolau
Busque tratamento de lesões do HPV
Evite tabagismo e mantenha uma dieta saudável


