Visibilidade Trans: Chá revelação de genital é excludente, segundo infectologista Maria Felipe Medeiros

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No dia da visibilidade, pessoas trans ocupam o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e falam da importância do combate à transfobia, inclusive na saúde

Maria Felipe e Pisci Bruja

O auditório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas recebeu nesta segunda-feira (29), Dia da Visibilidade Trans, um evento para discutir a saúde das populações trans e travestis. Com apoio do Instituto Cultural Barong, Estudo Mosaico e Instituto Multiverso, o ciclo de palestras foi aberto ao público geral, mas com destaque a profissionais da saúde.

O infectologista Bernardo Porto Maia abriu o microfone para dar as boas-vindas à primeira palestrante da manhã, a pesquisadora e educadora comunitária Pisci Bruja, que traçou um panorama da história da transgeneridade desde Xica Manicongo até os dias atuais. “Sempre quando eu penso na importância da gente discutir dissidências de gênero, é importante que a gente entenda que isso não é uma invenção do século XXI. A gente sempre existiu e tem registros históricos sobre isso. A gente tem evidências em cosmovisões de diversas comunidades, divindades trans em várias culturas, existem evidências de que gênero nem sempre foi dessa forma binária e genitalista como a gente configurou a nossa sociedade”.

Em seguida, a médica Infectologista com atuação em Saúde LGBTQIAPN+, Maria Felipe Medeiros, defendeu a importância da presença de profissionais trans e travestis trabalhando nos aparatos de saúde e construindo a história do Instituto Emílio Ribas. “A nossa comunidade apresenta números alarmantes em relação a diversos processos que ainda estão em defasagem no atendimento de pessoas trans, travestis e não-bináries”.

Alertou, ainda, para a imposição da binariedade às recém-nascidos. “Estamos na era do boom do chá revelação de genital. A gente precisa entender que isso é muito excludente porque criam-se expectativas através de algo que não necessariamente vai ser o que aquela pessoa vai querer construir ao longo da vida dela. Criamos para ela padrões de gênero e papéis sociais que talvez ela não queria exercer e ela tem esse direito”.

A Coordenadora de Educação Comunitária na Casa da Pesquisa do CRT, Paola Alves de Souza, fez questão de salientar que muitas pessoas trans e travestis ainda são desrespeitadas nos aparatos de saúde ao serem chamadas pelos seus nomes mortos, o que as afasta ainda mais dos cuidados com a saúde. “Não é uma escolha ser ou não transfóbica, a gente reproduz preconceitos porque vivemos a episteme, um recorte histórico”.

Maria Paula

Maria Paula Bonifácio, advogada do escritório Tozzini Freire, discorreu sobre as vitórias da comunidade trans e travesti na Legislação brasileira, mas salientou que muitas leis ainda não são cumpridas e por isso é imprescindível que profissionais da saúde denunciem abusos e violações que observarem contra essas populações.

O evento encerrou com uma fala da jornalista Fabiana Mesquita, do Instituto Multiverso, em que convocou a população cisgênera a se mobilizar contra a transfobia a fim de evitar constrangimentos sofridos pela população trans e travesti nos cuidados com a saúde.

Marina Vergueiro (marina@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Instituto de Infectologia Emílio Ribas

Tel.: (11) 3896-1200

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