Vinicius do Valle / Carta Capital: A batalha entre a Marcha para Jesus e a Parada LGBT+ não precisaria acontecer

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Independentemente das posições, o fato é que a sociedade está cada vez mais mobilizada em debates e embates ligados a noções de moralidade, existência, reconhecimento e identidades

Na última semana, assistimos à Marcha para Jesus e à Parada do Orgulho LGBTQIA+, dois dos maiores eventos públicos que acontecem em São Paulo. Há anos, estes eventos rivalizam para ver qual grupo atrai mais manifestantes, políticos e autoridades – e, consequentemente, quais dos públicos demonstram mais influência na sociedade.

É claro que essa disputa não precisaria acontecer, pelo menos não dessa forma. Afinal, existem LGBTQIA+ religiosos, inclusive evangélicos, bem como religiosos de diferentes orientações sexuais. Apesar de suas lideranças, essa intersecção é um fato, e  podemos inclusive pensar que há casos de pessoas que vão em ambas as marchas. No entanto, dado o histórico de polarização entre os grupos, a relação é de rivalidade.

Neste ano, a Marcha para Jesus levou políticos de direita, teve discursos contra o governo e até vaias para o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que foi à marcha representar Lula – que foi convidado, mas sabiamente recusou o convite, prevendo a hostilidade da plateia.

Já a parada LGBTQIA+, por sua vez, contou com políticos de esquerda e discursos contra o antigo governo.

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