É já no próximo dia 17 de setembro que terá lugar, em Lisboa, o HIV Parliament 2.0, que pretende colocar no centro do debate o futuro do HIV, em Portugal.
Durante décadas, viver com HIV (vírus da imunodeficiência humana) esteve associado a uma infeção grave, com risco de progressão para doença avançada e potencialmente fatal. Hoje, o cenário é muito diferente. Embora continue a não existir uma cura, a terapêutica antirretroviral permite controlar eficazmente a infeção, reduzir a carga viral para níveis indetetáveis e contribuir para uma melhor qualidade de vida. Agora, o desafio passa não só pelo tratamento, mas também por garantir que mais pessoas conheçam o seu diagnóstico e tenham acesso atempado à terapêutica.
O prazo definido para alcançar as metas 95-95-95 da ONUSIDA aproxima-se, mas o objetivo continua a ser possível. A estratégia estabelece que 95% das pessoas com HIV conheçam o seu diagnóstico; destas, 95% tenham acesso a tratamento antirretroviral; e, entre as pessoas em tratamento, 95% consigam atingir uma carga viral indetetável.
Em Portugal, a fase é decisiva. Os progressos existem no que diz respeito ao diagnóstico, ao tratamento e à prevenção, contudo, persistem desafios por enfrentar. Entre eles: o acesso equitativo aos cuidados, estigma, níveis reduzidos de literacia em saúde, utilização de dados e na implementação efetiva da inovação no terreno. Se é certo que o país reúne condições para acelerar o progresso até 2030, aproximando-se assim dos objetivos internacionais, isso dependerá da capacidade de traduzir conhecimento, inovação e evidência em resultados concretos. De que forma? É o que será possível debater na 2.ª edição do HIV Parliament, promovida pela ViiV Healthcare Portugal, uma empresa farmacêutica dedicada exclusivamente ao HIV, com atividade nas áreas da prevenção, tratamento e investigação científica.
No próximo dia 17 de setembro, a proposta passa por reunir representantes das autoridades de saúde, profissionais, organizações de base comunitária, especialistas, academia, sociedade civil e setor farmacêutico, para esclarecer prioridades e debater soluções capazes de acelerar o progresso rumo à eliminação das novas transmissões do HIV no país, até 2030. De forma a sustentar a certeza de que a eliminação só será possível com a colaboração de todos os envolvidos, a tarde está pensada de forma a trazer a infeção para o centro de todos os debates, moderados pelo jornalista João Moleira, demonstrando como a inovação só terá impacto real na resposta ao HIV se chegar de forma equitativa às pessoas que dela podem beneficiar e se for acompanhada por dados utilizáveis, sistemas interoperáveis e execução palpável no terreno.
Através de uma reflexão multissetorial, o HIV Parliament 2.0 estará assente em três eixos fundamentais: “HIV em Portugal: onde estamos e para onde precisamos de ir”; “Portugal em rede: da decisão à implementação equitativa da inovação”; e “Dados, interoperabilidade e ação”.
Mais do que olhar para o passado, o HIV Parliament 2.0 estará de olhos postos no futuro, relembrando-nos de que os dados precisam de se traduzir em ação e de que o progresso será sempre uma missão coletiva.



