Vereador Hiago Stock Morandi, de Caxias do Sul, é repudiado por Rede de Pessoas Trans após dizer que ambulatório de HIV tem “energia ruim”

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Uma fala do vereador Hiago Stock Morandi (PL), concedida durante entrevista ao programa Conversa Magna no último dia 10, gerou forte reação de entidades ligadas à defesa dos direitos de pessoas vivendo com HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Ao comentar sobre visitas a serviços públicos de saúde na cidade, Morandi descreveu o ambulatório localizado no subsolo do Centro Especializado em Saúde (CES), espaço destinado ao atendimento de pessoas vivendo com HIV/Aids e hepatites virais, como um local de “energia ruim” e “complicada”. O vereador afirmou que levou sua equipe para “sentir a energia” do lugar e entender a situação das pessoas atendidas.

“Outro dia eu levei os guris também lá no subsolo do CES, cara, uma energia ruim, complicada lá, você sente que tem alguma coisa errada. (…) Cara, aqui é o lugar ambulatório das pessoas com HIV, cara. As pessoas estão pra morrer, as pessoas com hepatite, é aqui que nós estamos. (…) Pra sentir a energia desse lugar, o que as pessoas precisam, a situação que elas estão, desesperadora, que nós temos que ajudar”, disse o parlamentar durante a entrevista, disponível a partir do minuto 11 do vídeo no YouTube.

A repercussão foi imediata. A Rede de Mulheres Travestis, Mulheres Trans e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV (RNTTHP) divulgou nota pública manifestando “profundo repúdio” às declarações. Na avaliação da entidade, as falas de Morandi associam pessoas soropositivas a “energias negativas” e reforçam estigmas que contribuem para a marginalização dessa população.

Segundo a nota, o posicionamento do vereador é “absolutamente estigmatizante, desumano e inaceitável”, principalmente por partir de um agente público. A Rede também destacou que a discriminação contra pessoas vivendo com HIV é crime no Brasil, conforme a Lei nº 12.984/2014, que prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa.

O texto ainda cita que a Constituição Federal garante a dignidade e a igualdade de todos os cidadãos, e que discursos como o do vereador ferem esses princípios. “O estigma mata. Mata quando impede o acesso à saúde, quando afasta pessoas do diagnóstico precoce, quando silencia e isola quem precisa de cuidado e acolhimento. E mata, sobretudo, quando parte de representantes públicos que deveriam defender a vida em todas as suas formas”, afirma a entidade.

A Rede lembrou também que, graças aos avanços da medicina e da pesquisa, viver com HIV hoje é compatível com qualidade de vida e expectativa de vida próxima à da população geral, desde que haja acesso a tratamento e apoio.

Nesta segunda-feira (18), a RNTTHP denunciou o ocorrido no Ministério Público.

Outro lado

Até o fechamento desta reportagem, o vereador não se pronunciou oficialmente sobre as críticas recebidas. O espaço segue aberto.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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