O dermatologista Paulo Roberto Teixeira, morreu na tarde deste sábado em São Paulo. Dr. Paulo foi fundador do primeiro programa de combate à aids na América Latina. O velório do gestor acontece neste domingo entre 10 e 14 hs. no Cemitério do Araçá, em São Paulo. No decorrer de mais de quatro décadas de atuação, Paulo Roberto Teixeira tornou-se uma das vozes mais importantes na construção de uma resposta baseada em ciência, assistência, prevenção, direitos humanos, participação social e acesso universal aos medicamentos. Amigos e ativistas seguem prestando homenagem ao gestor.
Dra. Rosa Alencar, Diretora Técnica do CRT/Aids de São Paulo : “ Sua visão estratégica, seu compromisso ético, sua capacidade de ouvir e sua paixão pela saúde pública eram inspiradores no cotidiano”

Paulo Roberto Teixeira teve papel fundamental e visionário na construção da resposta à epidemia de HIV/Aids no Estado de São Paulo e no Brasil. Como coordenador do Programa Estadual de DST/Aids desde os primeiros anos da epidemia, liderou a organização de uma resposta inédita, estruturada em bases científicas, no compromisso com os direitos humanos e na forte articulação entre serviços de saúde, academia e movimentos sociais. Sua capacidade de antecipar desafios e propor soluções inovadoras permitiu que São Paulo se tornasse uma referência nacional e internacional no enfrentamento do HIV/Aids, influenciando decisivamente a formulação das políticas públicas que transformaram a história da epidemia no país. Seu legado está presente na consolidação do Centro de Referência e Treinamento DST/ AIDS, instituição responsável pela Coordenação do programa estadual de IST/ AIDS de São Paulo e referencia nacional no tema, no fortalecimento das ações de prevenção e assistência e na defesa intransigente da dignidade das pessoas que vivem com HIV.
Para além de sua extraordinária contribuição institucional, Paulo Teixeira deixou marcas profundas nas pessoas que tiveram o privilégio de trabalhar ao seu lado. Tive a oportunidade de atuar sob sua liderança no CRT- DST/Aids, uma experiência que representou um período de intenso aprendizado profissional e de crescimento pessoal. Sua visão estratégica, seu compromisso ético, sua capacidade de ouvir e sua paixão pela saúde pública eram inspiradores no cotidiano. Com ele aprendi que enfrentar uma epidemia exige não apenas conhecimento técnico, mas também coragem, sensibilidade e compromisso com a vida. Esses ensinamentos moldaram de forma definitiva minha trajetória profissional e permanecem como referência para minha atuação até hoje. Seu exemplo ultrapassa os resultados alcançados pelo programa: vive na formação de gerações de profissionais que, como eu, foram inspirados por sua liderança, generosidade e capacidade de transformar desafios em oportunidades de construção coletiva.
Dr. Fábio Mesquita, ex-diretor do Depto. De Aids, professor universitário :”Humano, solidário, fraterno, profundo respeitador da diversidade “

É uma enorme perda a morte do querido doutor Paulo Roberto Teixeira. Paulo Teixeira fundou primeiro programa de luta contra AIDS do Brasil, no estado de São Paulo, e estive junto dele em muitas oportunidades, fazendo dele uma fonte permanente de aprendizado. Humano, solidário, fraterno, profundo respeitador da diversidade humana, foi sempre um parceiro de trabalho incrível e um ótimo chefe. No meu livro recente Diário de Bordo, tem uma frase na página 96 sobre Paulo Teixeira. Desta forma eu tentei que a gente jamais se esquecesse do papel extraordinário dele na saúde pública. Que ele descanse em paz.
Rubens de Oliveira Duda, presidente da Sociedade Padre Costanzo Dalbesio : “ Paulo foi uma espécie de Mensageiro da Esperança quando a epidemia cruel e devastadora, ceifavam vidas “

Há pessoas que fazem história. O Dr. Paulo Roberto Teixeira é a própria história, ele fez de sua caminhada em vida a obstinação no enfrentamento de uma das mais cruéis epidemias que a humanidade vivenciou: O HIV/Aids.Foi uma espécie de Mensageiro da Esperança quando a epidemia cruel e devastadora, ceifavam vidas incessantemente, enfrentou poderosos da política, saúde e academia quando suas convicções e ações baseavam –se em que:
“A política pública para aids deve estar sempre pautada na integralidade, defesa dos direitos humanos, respeito à cidadania e responsabilidade social. Nessa perspectiva, a assistência e a prevenção são indissociáveis e complementares”
Criou e liderou o primeiro Programa de Aids do país, o de São Paulo (1983), foi Coordenador do Programa Nacional de DST/Aids (2000 -2003), dirigiu o Programa de Aids da Organização Mundial da Saúde (2003) entre outras funções. Seus feitos foram tantos e o impacto tão profundos que devemos recorrer a literatura para alcança-los. É digno de reverência, respeito e continuidade de seu legado. Descanse em Paz!



