“A saúde não é só uma política social, mas uma política de desenvolvimento”, diz Nísia Trindade

A complexidade da gestão e do uso de financiamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) é proporcional a seu gigantismo, uma vez que é o maior sistema de saúde pública do mundo ao atender 150 milhões de brasileiros, oferecendo não apenas cuidados médico-hospitalares, mas também serviços de prevenção e de promoção da saúde. Segundo o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), o orçamento previsto para a pasta em 2024 é da ordem de R$ 218,5 bilhões, montante 46% maior que o anunciado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
“Encaro a gestão do SUS como um desafio complexo e coletivo, que demanda sensibilidade e capacidade de construção. É uma tarefa conjunta das instituições, dos governos e da sociedade. A saúde não é só uma política social, mas uma política de desenvolvimento. E tem que ser um objetivo não só do Ministério da Saúde, mas dos governos e da sociedade. É um grande pacto pelo SUS, o que significa termos sustentabilidade para essas políticas. Nós vemos que o setor privado pode atuar em parceria em projetos como o Novo PAC, mas sempre orientado pelo SUS”, afirmou ao Valor a ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Parte das parcerias com o setor privado ocorre por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com a participação de hospitais filantrópicos de referência.
Um dos projetos é o Lean Emergência, voltado à redução da superlotação hospitalar, em conjunto com os hospitais Sírio-Libanês, BP e Moinhos de Vento. Entre 2017 e 2022, 128 hospitais públicos e filantrópicos receberam treinamentos e participaram do projeto.
Vânia Bezerra, diretora do Sírio-Libanês, conta que a metodologia usada é a “teoria do espaguete”, que contabiliza o tempo em cada procedimento, acompanhando a jornada do paciente desde sua entrada. “O tempo de espera do paciente do pronto-socorro até ser atendido pelo médico foi reduzido em 30 minutos”, diz.
Segundo a diretora do Sírio, uma das dificuldades na parceria com o SUS é adaptar a realidade dos hospitais privados ao serviço público que, muitas vezes, não oferece um sistema integrado de informações sobre o paciente. “A grande maioria dos hospitais públicos do país não tem esse sistema”, diz.
Para atacar esse problema, o governo anunciou, em 1º de março, o Programa SUS Digital. A iniciativa abraça áreas como telessaúde, teleassistência, telediagnóstico, teleducação, monitoramento e avaliação de dados, sistemas de informação e plataformas e desenvolvimento de aplicativos. Neste contexto, a tecnologia pode servir como grande aliada para vencer as dificuldades do SUS.



