Vacina contra o HIV é vital em locais com menor acesso a outras formas de prevenção, informa Jornal da USP

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Os medicamentos antirretrovirais hoje existentes (PrEP e PEP) funcionam como formas preventivas, mas a produção de uma vacina seria muito importante para a queda acentuada de novos casos

O desenvolvimento de uma vacina para o vírus da imunodeficiência humana (HIV) não é fácil. A dificuldade está ligada à alta variabilidade genética desse retrovírus. Porém, um estudo publicado pela revista Nature, conduzido pelo Scripps Research Institute, dos Estados Unidos, e pela International Aids Vaccine Initiative (IAVI), mostra uma nova tentativa de produzir uma vacina.

O estudo realizado em macacos-rhesus baseia-se em uma estratégia chamada de germline-targeting. A nova estratégia foca em ensinar o sistema imunológico a produzir os anticorpos amplamente neutralizantes – um tipo de anticorpo raro encontrado em alguns pacientes com HIV que consegue impedir a infecção de algumas cepas do retrovírus.

Os casos de novas infecções por HIV no mundo reduziram, mas, segundo o infectologista Álvaro Costa, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, isso é um fenômeno só em alguns países, como no Quênia e Zimbábue. Mesmo com o desenvolvimento de outros métodos de prevenção contra o HIV, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), a busca pela vacina continua sendo importante.

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O HIV foi descoberto em 1983 por uma equipe de cientistas do Instituto Pasteur, em Paris, liderada pelos pesquisadores Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier. Costa explicou que esse vírus funciona alterando e reduzindo a quantidade da resposta imunológica do indivíduo, uma vez que utiliza do DNA do indivíduo para se multiplicar e, nesse processo, acaba por destruir a célula hospedeira.

Já sobre a Síndrome da Imunodeficiência Humana (aids), o pesquisador explica que é o estágio da contaminação pelo HIV mais avançado, em que a destruição das células de defesa, como o linfócito T CD4+, principal alvo do vírus, é tão significativa no sistema imunológico que o paciente fica sujeito às chamadas doenças oportunistas – doenças e infecções que se aproveitam do sistema imunológico enfraquecido e que podem evoluir para casos mais graves, como a pneumonia.

Formas de prevenção
As maneiras de prevenir a contaminação pelo HIV são variadas. Entre elas estão o uso de camisinha masculina e feminina e a utilização da PrEP e PEP. Segundo Ricardo de Paula Vasconcelos, a PrEP e a PEP “são duas formas de prevenção do HIV que funcionam de maneira muito parecida, que é dar medicamento antirretroviral para quem não vive com HIV com o objetivo de protegê-lo”.

Vasconcelos é investigador de estudos de prevenção do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis no Centro de Pesquisa Clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e explica que o medicamento retroviral usado nas duas formas de profilaxia é o mesmo e, por conta dele, a replicação do HIV é impedida.

O infectologista afirmou que a diferença entre elas está no momento em que o paciente usou o medicamento. “Na PrEP, antes de eu me expor, eu já sabia que eu poderia me expor e já tinha remédio no sangue. Enquanto na PEP, depois de uma exposição eventual, eu ainda tenho uma janela de oportunidade de 72 horas para começar a tomar o remédio por 28 dias para, dessa forma, bloquear o risco de infecção por HIV”, diz.

Vasconcelos exemplifica como o medicamento funciona: “Se uma pessoa que se expõe ao HIV e tem esse remédio no sangue, o vírus que porventura tente entrar ali naquele corpo, por causa do medicamento antirretroviral da PrEP ou da PEP, não vai conseguir se multiplicar, não vai virar um milhão de cópias de vírus e dessa maneira a infecção por HIV não se instala naquele corpo”.

A dificuldade de produzir uma vacina
A cidade de São Paulo é a única a distribuir gratuitamente pílulas de PrEP e PEP no mundo, sendo uma referência na prevenção do HIV. Só que nem todas as cidades possuem um sistema de prevenção semelhante ao da capital paulista ou acesso a esses medicamentos.

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Vasconcelos comenta que as profilaxias, juntamente com uma vacina, seriam importantes para a queda mais acentuada dos novos casos. “A gente pensa que o desenvolvimento de uma vacina é muito bem-vindo, porque isso vai ajudar no controle, no longo prazo, de uma epidemia tão brutal para a humanidade como foi a epidemia de HIV.”

O desenvolvimento de uma vacina é importante, mas o HIV, conforme o infectologista, é um vírus que consegue escapar de maneira eficaz dos mecanismos imunes do corpo. “Uma pessoa que se infecta por HIV não se cura sozinha, que nem uma pessoa que pega gripe consegue se curar. Por que uma pessoa que pega gripe consegue se curar sozinha? Porque ela organiza uma resposta imune que é eficiente para conseguir eliminar o vírus do corpo dela. E por isso é fácil fazer uma vacina contra a gripe”, conclui Vasconcelos.

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