Usuários do Malhar e Viver +, dirigido às pessoas vivendo com HIV, são encaminhados para o Saúde no Esporte, da prefeitura de São Paulo

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14/07/2014 – 10h45

Os usuários do projeto Malhar e Viver +, do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, estão sendo encaminhados para o Programa Saúde no Esporte (PSE), projeto de atividade física desenvolvido de forma integrada pelas secretarias municipais da Saúde e do Esporte, Lazer e Recreação. Foi o que anunciou o Programa, em nota, por meio de sua assessoria de imprensa.

O Malhar e Viver +, projeto de ginástica desenvolvido em 2009 especificamente para combater e amenizar nas pessoas vivendo com HIV os efeitos colaterais do tratamento antirretroviral, acabou no fim de maio (relembre aqui). Até 2012, funcionava em cinco serviços de assistência especializada (SAE): Ipiranga, Campos Elíseos, Mitsutani, Penha e Santo Amaro. No ano passado, foi reduzido para três e assim funcionou até o fim.

O Programa Municipal de DST/Aids diz na nota acreditar que, com o remanejamento dos usuários para o PSE, estará ampliando o acesso deles aos exercícios físicos e entendendo a importância de integrá-los às políticas municipais de promoção da saúde.

Para os usuários, era justamente o atendimento específico o grande mérito do Malhar e Viver +, que contava com educadores físicos capacitados para trabalhar com pessoas vivendo com HIV/aids não só na parte física como no acolhimento. “Os professores estudaram para dar essa atenção”, diz Simone Lima, que treinava no serviço de Santo Amaro. “Agora, no PSE, seremos apenas mais um. Tanto que a orientação do Programa é para que ninguém revele a sua sorologia ao novo treinador.”

Entre outros benefícios do Malhar e Viver +, os usuários citam o aumento da autoestima, promovida pela melhora física e também pela convivência com outros soropositivos. “Na nossa turma, nós formamos uma família”, diz Júlia Martins, 42 anos, do SAE Ipiranga.

José Rogério Hortêncio da Cruz, do SAE Santo Amaro, diz ter reunido num abaixo-assinado contra o fechamento do projeto 1.300 assinaturas. Nessa unidade, a indignação dos usuários tocou tanto o educador físico Rogério Ramos que ele decidiu dar uma aula por semana para eles como voluntário, sem cobrar nada.

“Não é suficiente, o ideal são três aulas na semana, mas foi uma forma que encontrei de continuar motivando meus alunos”, diz Rogério Ramos. “Trabalhei muito com eles, foi muito esforço até conseguir a adesão e agora não vou abandoná-los. Eles não podem perder os benefícios que conquistaram. ”

Rogério diz que, se tivesse condições financeiras, reservaria mais tempo para aulas voluntárias ao grupo. “Foi uma pena o projeto acabar porque não era simplesmente uma aula de musculação. Era um trabalho integrado com psicóloga, fisioterapeuta, médico. Eu e os outros educadores comprovamos os efeitos positivos das atividades no combate da lipodistrofia e em outros aspectos da saúde dos usuários”, continua Rogério.

O PSE é desenvolvido em 45 Clubes Esportivos Municipais, onde os cadastrados recebem orientações médicas, nutricionais, fisioterápicas e odontológicas, segundo a nota do Programa.

“É importante salientar que as ações intersetoriais para ampliação do acesso das pessoas vivendo com HIV/aids (PVHIV ) a profissionais da saúde e do esporte responsáveis pela orientação e acompanhamento das atividades físicas, em horários ampliados, instalações adequadas e equipamentos variados estão em fase de implementação. As ações têm o propósito de fazer com que as PVHIV exerçam atividades físicas e alcancem melhor qualidade de vida e saúde, atendendo ao princípio de Integralidade do SUS”, encerra a nota.

Dica de Entrevista:

Programa Municipal de DST/Aids SP
Tel.: (11) 3397-2369

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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