O baixo estoque de medicamentos essenciais para o tratamento do HIV e das hepatites vem gerando apreensão entre usuários do sistema público de saúde em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo o conselheiro municipal de saúde, Marcelo Marchi, o problema já se arrasta há algum tempo e estaria relacionado a falhas na logística estadual.
“Já foi falado pra gente que foi um problema da logística do Estado, de uma empresa que entrou há um ano e que está tendo dificuldades. Mas a gente não quer saber o que está acontecendo, o fato é que os medicamentos não estão chegando”, afirma Marchi.
Entre os antirretrovirais em falta na rede estão o Darunavir 800 mg e Tenofovir + Lamivudina, usados no tratamento da infecção pelo HIV. Também há relatos de desabastecimento do Entacavir 0,5 mg, indicado para pessoas com hepatite B.
De acordo com informações obtidas pela Agência Aids, a situação dos estoques é crítica: há menos de um mês de fornecimento disponível. O Darunavir, cuja média mensal de saída é de cerca de 6 mil unidades, conta atualmente com 2.600 unidades em estoque. Já o Tenofovir + Lamivudina, que tem consumo mensal aproximado de 40 mil unidades, possui 37.500 unidades disponíveis — volume que ainda permite o abastecimento da PEP (profilaxia pós-exposição) nas maternidades e UPAs de Guarulhos, mas não garante segurança para o atendimento contínuo dos usuários.
Marchi, que também atua na Secretaria Municipal de Saúde, relata que tem buscado respostas junto ao Estado para tentar resolver o problema.
“Eu já procurei o GT de Farmácia da Secretaria da Saúde, fiz contato com o responsável pela logística estadual, e também com o CRT (Centro de Referência e Treinamento DST/Aids). Disseram que estão separando os medicamentos Darunavir e Tenofovir/Lamivudina para Guarulhos ir buscar”, explica.
O conselheiro afirma ainda que o centro de distribuição dos medicamentos não fica em São Paulo, mas em uma cidade próxima de Mogi das Cruzes. “O estoque está em uma cidadezinha ali perto de Mogi. O problema parece estar nessa distribuição.”
Marchi ressalta a importância de antecipar a discussão sobre o desabastecimento para evitar que a situação se agrave. “É importante alertar antes que o déficit aumente. E provavelmente isso não está acontecendo só em Guarulhos”, adverte.
Outro lado
Em resposta à Agência Aids, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que “os medicamentos mencionados pela reportagem estão sendo entregues na farmácia de Guarulhos nesta sexta-feira (7). Os pacientes serão avisados sobre a disponibilidade do item para a retirada imediata.”
Redação da Agência de Notícias da Aids



