Boa notícia: Uso de PrEP aumenta em 919% entre mulheres cis e 643% entre muheres trans em São Paulo; acesso à profilaxia pode ser feito através do e-saúde SP

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Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) itinerante

Recentemente o município de São Paulo atingiu a marca de 40 mil usuários registrados da PrEP (profilaxia pré-exposição), estratégia de prevenção oferecida gratuitamente pelo SUS que evita a infecção do vírus do HIV. Segundo a Coordenadora da Coordenadoria de IST/aids da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, Cristina Abbate, esse número engloba em mais de 69% pessoas negras, jovens gays, pessoas trans e travestis. “Esse índice demonstra que o caminho está correto, no sentido de que o acesso deve ser o mais amplamente facilitado às pessoas, sobretudo àquelas que estão em áreas mais distantes do centro. Criar possibilidades de oferecer métodos de prevenção no cotidiano das pessoas, horários estendidos, locais de fácil mobilidade e atendimento rápido têm sido as principais estratégias implantadas. Com essas medidas, temos atingido públicos com menos acesso à informação, com barreiras criadas a partir de estigmas por raça, orientação sexual ou identidade de gênero”, afirma.

A PrEP começou a ser oferecida no Brasil no final de 2017, de forma gradual, e desde sua implementação a cidade de São Paulo tem a melhor cobertura do país e já registrou queda de 45% no número de novos casos de HIV nos últimos 6 anos. Um dos destaques na avaliação de perfil de gênero nos cadastros de PrEP na cidade de São Paulo é com relação ao aumento considerável de mulheres trans, cis e travestis. No que diz respeito às mulheres cis, o número de cadastros dessa população só no ano de 2023 (1.655) foi quase dez vezes maior que o índice de cadastros em 2018 (180). Ao compararmos os cadastros do ano de 2023 com os cadastros no ano anterior (833), por sua vez, observamos que o índice praticamente dobrou.

Estação Prevenção – Jorge Beloqui na estação República do metrô de São Paulo

Já no que diz respeito às mulheres trans e às travestis, o aumento de novos cadastros no ano de 2023 (416) com relação ao ano de início da PrEP (em 2018 foram 56 cadastros) chega a 643%. Só nos dois primeiros meses de 2024, já foram realizados mais cadastros entre essas populações que em todo o ano de 2018. Já na comparação dos cadastros de 2023 com o ano anterior, entre a população de mulheres trans observou-se um aumento de 33%. Entre a população de travestis, por sua vez, esse mesmo índice cresceu 129%.

Homens cis e trans e a PrEP

Entre homens trans, o número de cadastros no último ano (70) também quase dobrou quando em comparação com 2022 (36). Entre homens cis, o índice indica um aumento de 43% no número de novos cadastros do ano de 2023 (10.520) em relação ao ano anterior (7.356). Já entre pessoas não-binárias, o número quase dobrou, representando 86% de crescimento nos novos cadastros no ano passado (67) quando comparado com 2022 (36).

Na questão de orientação sexual, homens gays representam uma expressiva porcentagem dos cadastros, mas pessoas bissexuais e heterossexuais têm acessado cada vez mais a PrEP, o que se nota pelos números obtidos a cada ano e pelo perfil dos usuários que acessam a RME-IST/Aids.
O número de novos cadastros entre homens gays aumentou 35% no ano de 2023 em comparação com 2022. Em comparação com 2018, esse mesmo número representa um aumento de mais de 500%. Além disso, somente nos dois primeiros meses deste ano foram realizados mais cadastros para a PrEP entre essa população que durante todo o ano de 2018.

Estratégia de prevenção em diversas frentes

A secretaria de saúde utiliza uma estratégia que une diversas frentes para oferecer uma boa resposta à saúde sexual da população, com a intenção de inserir a prevenção, em especial a PrEP e a PEP, no cotidiano das pessoas. Uma das ações mais exitosas foi o desenvolvimento do Projeto PrEP na Rua, que consiste na oferta das profilaxias pré e pós-exposição ao HIV (bem como outros serviços de diagnóstico, prevenção e tratamento) em localidades e horários alternativos por meio de ações em espaços abertos ou públicos com foco estratégico. Essas ações acontecem em todas as regiões da capital. Só em 2023, foram quase 400 edições do projeto. Estações de metrô, equipamentos culturais, praças, casas de entretenimento, pontos de prostituição e estabelecimentos variados são exemplos de locais que recebem essas ações em parceria com a Coordenadoria de IST/Aids.

Outra estratégia é o lançamento de uma unidade de Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) itinerante, o CTA da Cidade, inaugurado em 2021 e que percorre diferentes localidades de quinta-feira a sábado, das 16h às 21h, a cada final de semana em uma local diferente.
Além disso, existe também a disponibilização gratuita do acesso à PrEP de forma digital, por meio do serviço online SPrEP dentro do app e-saúde SP, contribuindo significativamente para o aumento do número de novos cadastros na capital. O canal, que funciona todos os dias (inclusive feriados e finais de semana), das 18h às 22h, permite que o usuário acesse, de forma prática e intuitiva, atendimento rápido para indicação da profilaxia.

A implantação da Estação Prevenção – Jorge Beloqui, dentro da Estação República da Linha Vermelha do Metrô, também é uma iniciativa poderosa para expandir a adesão à PrEP e PEP. Ela funciona de terça a sábado, das 17h às 23h e desde sua inauguração a unidade registra aproximadamente 6.200 atendimentos, sendo mais de quatro mil deles relacionados ao acesso à PrEP. O sucesso dessa estação inspirou a elaboração de projetos de expansão da iniciativa com foco no acesso à prevenção em locais estratégicos, de grande circulação de pessoas. Terminais de ônibus e estações de metrô já estão sendo avaliados para novas instalações.

Cristina Abbate, Coordenadora de IST/Aids da cidade de São Paulo

Segundo a coordenadora da Coordenadoria de IST/aids, Cristina Abbate, a PrEP tem chegado a todas as regiões da cidade de São Paulo. “A Rede Municipal Especializada em IST/Aids (RME-IST/Aids) conta, ao todo, com 29 serviços, sendo 26 deles unidades fixas convencionais de Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Serviços de Atenção Especializada (SAE). Essas unidades, que funcionam de “portas abertas”, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, estão localizadas em todas as regiões, em diferentes bairros, a maioria delas em localidades periféricas”, explica. Os serviços especializados estão localizados em em bairros como Cidade Dutra, Pirituba, Cidade Líder, Sapopemba, Jardim Popular, Campo Limpo, Cidade Tiradentes, M’Boi Mirim, São Mateus, Guaianases, entre outros, abrangendo não só as populações dessas localidades, mas também dos seus entornos.

Além disso, a agenda do CTA da Cidade e o calendário do Projeto PrEP na Rua são estrategicamente pensados para contemplar populações que enfrentam barreiras de acesso por questões de horários ou por variáveis sociais, como pessoas em situação de rua e profissionais do sexo.

População Heterossexual e a PrEP

Em relação à população heterossexual, os dados indicam que a profilaxia está sendo acessada cada vez mais entre a população heterossexual. De 2018 (272 cadastros) a 2023 (2.703 cadastros), o número de novos cadastros aumentou quase dez vezes, chegando 894% de crescimento. Ao comparar os cadastros de 2023 com o ano anterior, por sua vez, observa-se que o número mais que dobrou, crescendo 105%.

O maior aumento quando comparado o ano de 2023 com o ano de início da disponibilização da PrEP foi entre a população bissexual, índice que chegou a 917% de crescimento nos novos cadastros (172 cadastros em 2018 e 1.749 cadastros em 2023). Além disso, o número de cadastros do ano passado foi 57% maior que o número do ano de 2022 (1.113).

Vale notar que, em 2018, a população de pessoas heterossexuais representava 15,3% dos cadastros totais para a profilaxia. Em 2023, essa população correspondeu a 21% do acesso. Isso significa que, apesar do foco estratégico em populações que foram historicamente impactadas pela epidemia, a saúde pública em HIV/aids na capital também está atenta às pessoas heterossexuais, uma vez que toda a população pode ser infectada pelo vírus, independente de identidade de gênero ou orientação sexual.

Marina Vergueiro (marina@agenciaaids.com.br)

Dica de Entrevista:
Coordenadoria IST/aids – edmarjunior@prefeitura.sp.gov.br

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