14/12/2006 – 16h20
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – regional São Paulo (SBCP-SP) – promoveu a “Jornada do Litoral”, neste último fim de semana, entre 8 e 9 dezembro, no Centro de Convenções do Parque Balneário Hotel, em Santos (SP). Com o tema “Evolução da Cirurgia Plástica: do Clássico ao Moderno”, o evento reuniu 150 especialistas e teve como maior destaque a apresentação de um estudo sobre o uso da bioplastia R11; nome dado para as aplicações de PMMA (microesferas de polimetilmetacrilato) – a famosa “plástica sem cortes” – para preenchimento facial em pacientes portadores do HIV. Na pesquisa realizada por Luiz Carlos Duílio Garbossa, a bioplastia foi usada com sucesso no tratamento da lipodistrofia facial. “A lipodistrofia ou síndrome lipodistrófica se caracteriza por uma redistribuição da gordura corporal que deixa rosto, pernas, braços e nádegas finos, e abdome, nuca e tórax com concentração excessiva de gordura, causando uma desfiguração do paciente”, explica o presidente da SBCP-SP, Antônio Graziosi.
Nos pacientes soropositivos, a síndrome surge como um efeito colateral do uso dos medicamentos anti-retrovirais, o chamado coquetel. Há dois anos, uma Portaria do Ministério da Saúde (nº 2.582, de 2/12/2004) prevê a realização de cirurgias reparadoras, entre elas a bioplastia, para o tratamento da lipodistrofia em pessoas com Aids pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Durante o evento, Garbossa apresentou resultados obtidos com algumas pessoas que participaram da pesquisa. Os pacientes receberam aplicações de PMMA no terço médio da face, que engloba as bochechas e a região abaixo dos olhos. Neste local, há grande perda de gordura nos casos de lipodistrofia. “O produto foi injetado de maneira profunda, mais próxima aos ossos, e não nos tecidos moles – pele e músculos. Esta é a forma correta para realização da bioplastia, já que a substância injetada tem a consistência dura como um plástico e, quando aplicada nos tecidos moles, pode ficar com aparência rígida de um cisto”, salienta Eugênio Gonzalez Cação, membro da diretoria da SBCP-SP e responsável pela organização da “Jornada do Litoral”.
O estudo da bioplastia para tratamento da lipodistrofia não apresentou grandes reações adversas como rejeição ao produto ou necrose de tecidos. Segundo Cação, as complicações mais freqüentes foram pequenos hematomas e somente em um dos casos estudados foi preciso retirar a substância porque o preenchimento ficou muito aparente e pouco estético.
“O uso da bioplastia na lipodistrofia facial representa um grande avanço para os soropositivos, já que a perda de gordura no rosto é o maior problema para as pessoas afetadas por este efeito colateral do coquetel de medicamentos. Isso porque uma roupa bem escolhida pode disfarçar o corpo com abdome mais saliente e membros mais magros, mas a face fica à mostra o tempo todo”, ressalta Graziosi.
Outro debate bastante aguardado pelos especialistas foi a respeito da carboxiterapia, procedimento que promete acabar com a celulite, flacidez e estrias com a injeção de gás carbônico sob a pele. “A cirurgiã plástica Priscila Arruda Bruno expôs sua experiência clínica pessoal com a técnica por meio de resultados obtidos em cinco pacientes. Neste universo, a carboxiterapia mostrou-se eficaz e não houve relato de complicações, mas ainda precisamos de estudos científicos e da análise de um número maior de casos para atestar a segurança e eficácia deste procedimento”, lembra o presidente da SBCP-SP.
A “Jornada do Litoral” teve também como pontos fortes as apresentações de aperfeiçoamentos de técnicas de cirurgia plástica já consagradas como lipoaspiração, reconstrução de mama, cirurgias de face, abdome e prótese de glúteos. Entre as evoluções, destacou-se a abdominoplastia invertida: neste procedimento realizado por Cecin Dauod Yacoub, é aproveitada uma cicatriz em T invertido (que pega a parte inferior e parte da mama), que já existe ou será resultado de uma mamoplastia, para se retirar excesso de pele da parte superior do abdome. “Com o uso desta técnica, o cirurgião consegue retirar mais pele do que somente com o corte tradicional da abdominoplatia, localizado na parte inferior do abdome (na altura do biquíni), e aproximar mais a pele da musculatura abdomial. Assim, obtém-se um contorno corporal mais definido”, afirma Graziosi.
Além dos cirurgiões plásticos do estado de São Paulo, o corpo docente da “Jornada do Litoral” contou com especialistas de diversos estados brasileiros como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica



