Hepatoaids: Uso da PrEP não aumenta a incidência de outras ISTs, afirma dra. Beatriz Grinsztejn, da Fiocruz

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Médica responsável por estudo IMPrEP no Brasil compartilha que apenas 30% das pessoas que usam PrEP desenvolvem outras infecções sexualmente transmissíveis

A cidade de São Paulo recebeu nos dias 9, 10 e 11 de maio a décima sétima edição do Hepatoaids, um dos mais importantes fóruns de atualização, capacitação, compartilhamento de conhecimento, melhores práticas e inovação do cuidado no universo do HIV/aids, hepatites virais, tuberculose e infecções sexualmente transmissíveis. O evento contou com um amplo programa científico, pensado para médicos, enfermagem, farmacêuticos, equipe de saúde mental, estudantes, residentes e todos os profissionais da área da saúde. Dentre as 23 mesas de discussão e painéis da programação do evento, a brasileira dra. Beatriz Grinsztejn, da Fundação Oswaldo Cruz, conduziu a palestra “Conferência: Estado da arte da PrEP” na qual apresentou resultados do estudo ImPrEP, que analisa a implementação da profilaxia pré-exposição oral e diária em populações vulneráveis.

A cientista compartilhou que o estudo constatou que a adesão à PrEP tem variações e que, embora a dose ideal de sete vezes por semana é o que mais protege da incidência do HIV, observou-se uma proteção quase igual nas pessoas que usam de 4 a 6 doses. “Mas também houve proteção em pessoas que usam de 2 a 3 doses semanalmente. A gente tem que entender que não é preto ou branco, existem nuances que também podem trazer benefício em relação quanto à incidência de HIV”, afirma Dra Beatriz.

As pesquisas demonstraram também que a melhor adesão à PrEP ocorre entre pessoas com mais de 35 anos, principalmente homens que fazem sexo com homens. Populações trans e jovens de 18 a 24 anos apresentaram a pior adesão. Além disso, indivíduos com baixa escolaridade foram associados a maior risco de infecção pelo HIV.

Outra informação observada pela equipe de cientistas que conduz o estudo é que o uso da PrEP não aumenta a incidência de outras ISTs. “Isso é um conceito amplamente divulgado, no entanto apenas 30% de todas essas pessoas que tinham segmento em PrEP desenvolveram ISTs”, explica a médica. “É muito importante que a gente entenda isso para que quando pudermos implementar a DoxyPEP no futuro, ela seja disponibilizada para as pessoas que são altamente vulneráveis às ISTs, dentro de um perfil mais específico e não para todo mundo que está usando PrEP para o HIV”.

Atualmente, a pesquisa ImPrEP se encontra na segunda fase, na qual é estudada a adesão ao cabotegravir injetável de longa duração (CAB LA), também conhecido como PrEP injetável. O objetivo principal é gerar evidências científicas sobre a possível inclusão do CAB-LA como mais uma opção de PrEP e prevenção combinada no Sistema Único de Saúde no Brasil.

O ImPrEP CAB Brasil está sendo implementado inicialmente junto a 1200 participantes gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não-binárias, travestis, mulheres e homens trans HIV negativos, de 18 a 30 anos, consideradas populações mais vulneráveis ao vírus. O projeto acontece em seis serviços de saúde pública que ofertam a profilaxia, localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Campinas, Florianópolis e Manaus.

Implementada no Brasil em 2018, atualmente apenas 5% da população vulnerável ao vírus da aids tem acesso à PrEP. Os interessados em usá-la pela primeira vez como forma de prevenção ao HIV que forem a esses serviços públicos de saúde podem optar entre a modalidade oral e a injetável, desde que estejam dentro dos critérios de inclusão. Para fazer essa escolha, receberão informações específicas sobre cada modalidade, visando saber qual delas melhor atende ao seu estilo de vida.

Marina Vergueiro (marina@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Fiocruz – Assessoria de Imprensa

Tel.: (21) 3865-9144

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