UOL: Chagas, gripe aviária e mais: as doenças que enfrentamos em 2023

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O ano de 2023 está sendo marcado por um preocupante aumento nos casos de doenças no Brasil que, até então, não eram tão registradas, despertando a atenção das autoridades de saúde e da população.

A doença de Chagas, historicamente associada a regiões mais quentes do país, teve um surto recente no norte do estado da Bahia, levando a um alerta para a necessidade de cuidados e diagnósticos precoces.

Além dela, outras como escarlatina, raiva e gripe aviária preocupam a população e autoridades da saúde.

A seguir, confira como essas doenças se espalharam pelo país em 2023.

Doença de Chagas

Barbeiro, inseto responsável por transmitir o protozoário da doença de Chagas, o Trypanossoma Cruzi

Um surto de transmissão oral da doença de Chagas no norte do estado da Bahia gerou uma grande preocupação este ano. A Vigilância Epidemiológica do Estado emitiu um alerta após a confirmação de cinco casos e uma morte no primeiro semestre.

No Pará, contudo, é onde há mais casos registrados. A doença, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido pelo inseto barbeiro, acometeu, até março de 2023, mais 75 pessoas, segundo dados do governo estadual.

Conhecida há mais de um século, a condição atingia principalmente a população mais vulnerável, uma vez que o barbeiro busca abrigo em rachaduras e fendas de habitações precárias. A transmissibilidade, no entanto, evoluiu, e nos últimos anos a contaminação alimentar se tornou uma preocupação significativa.

Atualmente, cerca de 70% dos casos de doença de Chagas resultam da transmissão oral, principalmente por meio do consumo de alimentos contaminados. O açaí e o caldo de cana, como a garapa, são identificados como principais veículos de contaminação, especialmente quando preparados de forma caseira por pequenos produtores.

Mas a preocupação com a doença não se restringe à região Norte do país. Recentemente, a USP emitiu um comunicado informando sobre a presença de insetos barbeiros em seu campus. Embora o título mencione a descoberta, o comunicado tranquiliza os alunos, afirmando que “não há razão para alarme”, e orienta sobre a captura segura dos insetos.

Além disso, destaca a importância de não coçar as picadas, lavar o local com sabão e procurar uma Unidade Básica de Saúde se houver febre na semana seguinte, reforçando a importância da prevenção em diversas regiões do país.

O problema é considerado “silencioso”, pois as complicações cardíacas e outros efeitos adversos podem se manifestar muitos anos após a infecção.

Gripe aviária

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Até o dia 22 de dezembro, o Brasil registrou 151 casos de gripe aviária, doença causada pelo vírus H5N1, o que acendeu um alerta entre autoridades de saúde e especialistas.

O impacto mais significativo recai nas aves e a circulação do vírus H5N1 em humanos é considerada rara, mas acontece.

Estêvão Urbano, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, destaca que, embora a transmissão entre humanos seja atualmente incomum, não se pode descartar o risco, especialmente se o número de infectados aumentar significativamente.

O vírus H5N1, quando afeta humanos, apresenta uma gravidade notável, com uma taxa de mortalidade elevada, reforçando a importância de medidas preventivas e vigilância constante para conter a disseminação da doença.

Escarlatina

Escarlatina atinge, principalmente, crianças em idade escolar

Em 2023, o estado de São Paulo enfrentou uma preocupante escalada nos casos de escarlatina, com 33 notificações registradas de janeiro a novembro.

A doença, provocada pela mesma bactéria responsável por infecções de garganta e pele, é causada pelo Streptococcus pyogene e é altamente contagiosa, sendo transmitida por meio do contato direto.

Gotículas expelidas em tosse ou espirro, além do compartilhamento de objetos contaminados, contribuem para a disseminação da infecção. As crianças em idade escolar são particularmente suscetíveis, visto que a transmissão pode ocorrer ao tocar em áreas contaminadas e, posteriormente, levar as mãos à boca ou ao nariz.

Embora até o momento não tenham sido registradas mortes decorrentes da escarlatina, a rápida propagação da doença exige atenção e a implementação de medidas preventivas para conter a disseminação.

As autoridades de saúde recomendam a adoção de práticas higiênicas rigorosas e a busca por assistência médica ao primeiro sinal de sintomas.

Raiva

Vacinar cachorros contra a raiva diminui a incidência da doença em humanos

A raiva, zoonose fatal causada pelo vírus Lyssavirus, tem sido motivo de crescente preocupação no Brasil, especialmente após a notificação de dois casos em 2023, somando-se aos 47 registrados de 2010 até o momento.

Essa doença, que atinge o sistema nervoso central e tem uma taxa de mortalidade quase total em casos não tratados, apresenta diversas formas de transmissão.

Os dados revelam que, no período mencionado, os casos foram provocados por mordidas de cães, morcegos, primatas não humanos, raposas, felinos e bovinos. A série histórica demonstra que apenas dois casos evoluíram para a cura, enquanto os demais resultaram em óbito. Os recentes casos notificados em 2023 chamam atenção para a diversidade de fontes de infecção.

Um homem em Mantena, Minas Gerais, contraiu a doença de um bovino infectado com uma variante de morcego, enquanto outro caso em Cariús, Ceará, envolveu a agressão por um primata não humano.

Além disso, um terceiro caso que ainda está sendo investigado, envolvendo a morte de um menino de 5 anos em Bertópolis, Minas Gerais. Caso confirmada, a transmissão pode estar associada a morcegos na região.

Autoridades de saúde reforçam a necessidade de procurar atendimento médico imediato em casos de agressão animal e destacam a urgência em identificar e isolar possíveis fontes de infecção para prevenir a propagação da doença.

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