31/1/2007 – 12h40
A Universidade Ibirapuera divulgou a assinatura de um acordo de cooperação inédito com a Coordenadoria de Saúde Bucal do Município de São Paulo para um amplo projeto de capacitação de todos os cirurgiões-dentistas da rede de atendimento básico à população. Cerca de 1100 profissionais irão aprender como trabalhar com pacientes especiais, entre eles os soropositivos pré-transplantados, doentes renais crônicos e também portadores da Síndrome de Down.
Segundo Sigmar de Mello Rode, coordenador do curso de odontologia da instituição, o convênio, que também conta com o apoio da Universidade de São Paulo (USP), é resultado de um projeto piloto implantado pela Ibirapuera, ainda em 2005, quando promoveu cursos de atualização na área de prótese para um grupo de 60 dentistas.
“Os profissionais que atuam junto ao SUS terão acesso a programas de especialização nas áreas endodontia, cirurgia bucal, periodontia, dentística e materiais dentários. Também lançaremos mão do trabalho já efetuado junto ao Gaepo, na própria Universidade, complementando a formação oferecida aos dentisas, o que muito contribuirá para redução dos chamados índices de exclusão social”, destaca Rode
O Gaepo é o Grupo de Atenção Especial ao Paciente Odontológico, órgão fundado pela Ibirapuera em 2000, que tem por objetivo a prestação de serviços gratuitos na área da saúde quanto ao diagnóstico e devido encaminhamento de casos de pacientes que necessitam de cuidados mais específicos em virtude das deficiências ou dos quadros clínicos que apresentam.
“Somente em 2006, realizamos cerca de 750 atendimentos. Inicialmente, os pacientes encaminhados ao grupo eram portadores de câncer de cabeça e pescoço. Ao longo do tempo, passamos a atender também portadores de doenças do coração, diabetes, doenças auto-imunes, imunossuprimidos e transplantados. Iniciamos ainda um programa de tratamento ortodôntico em crianças com Síndrome de Down e, atualmente, estamos com 12 casos em andamento”, pontua Monica Andrade Lotufo, coordenadora do Gaepo.
O acordo entre Saúde Bucal e Ibirapuera nesta área inclui um programa de treinamento com 56 horas-aula, composto por atividades práticas e teóricas, todas elas realizadas nas dependências da clínica de odontologia da Universidade. Os pacientes que participarão voluntariamente do projeto de capacitação dos cirurgiões-dentistas serão encaminhados pelas regionais de saúde da própria Prefeitura Municipal.
Usuários do SUS sofrem com alta demanda
Atualmente, a rede de serviços básicos odontológicos mantida pelo sistema público de saúde atende apenas cerca de 25% da população de usuários que a procuram, quer seja por falta de infra-estrutura ou pela falta de especialização de muitos profissionais.
Para Maria da Candelária Soares, coordenadora da área técnica de Saúde Bucal da Prefeitura de São Paulo, é fundamental o estabelecimento de parcerias com o ensino superior não apenas para os servidores de carreira, mas para os próprios docentes das universidades que terão a oportunidade de desenvolver contatos com profissionais atuantes da esfera pública e auxiliar, indiretamente, no incremento da qualidade de vida da população carente.
“Um dos objetivos da aproximação entre as instituições de ensino e a saúde bucal, além da capacitação técnico-científica da rede pública, é contribuir para a mudança de perfil com relação à formação dos profissionais da saúde. As universidades participantes foram escolhidas pela sua experiência e pela excelente infra-estrutura que disponibilizam em suas clínicas e laboratórios”, esclarece Maria da Candelária.
Fonte: Universidade Ibirapuera


