UNICEF: Aids 2026 destaca a necessidade urgente de ampliar o investimento global para proteger crianças e adolescentes do HIV

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Durante a conferência, o UNICEF parabenizou a liderança do Brasil na eliminação da transmissão vertical do HIV e reforçou ações para garantir que nenhuma criança seja deixada para trás

O UNICEF participou da 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026), realizada esta semana no Rio de Janeiro. Dados do relatório Cost of Inaction on HIV for Children (O Custo da Inação em relação ao HIV para Crianças), publicado pelo UNICEF e pelo Unaids e apresentado na conferência por Savvy Brar, especialista em Estatísticas e líder de Dados sobre HIV do UNICEF, mostram que, se os atuais cortes de financiamento persistirem, o mundo poderá registrar três milhões de novas infecções por HIV entre crianças e quase 1,8 milhão de mortes relacionadas à aids até 2040.

Durante o evento, o representante do UNICEF no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, reafirmou o compromisso da organização de garantir que mulheres, crianças e adolescentes continuem sendo prioridade nas políticas, no financiamento e nos programas relacionados ao HIV.

No Dia Mundial da Hepatite, ele se encontrou com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, e enfatizou os avanços do Brasil e a importância de acelerar a eliminação da transmissão vertical da hepatite B e da sífilis, juntamente com a do HIV.

“O Brasil mostrou o que é possível alcançar para mães e crianças quando há vontade política aliada a sistemas de saúde fortes. Agora, precisamos seguir com esse compromisso para alcançar a eliminação da hepatite B e da sífilis, para que nenhuma mãe e nenhum bebê fiquem para trás”, afirmou Joaquin Gonzalez-Aleman.

O Ministro de Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, anunciou que o País já alcançou os níveis internacionais de eliminação da transmissão vertical do HIV e enalteceu a contribuição do UNICEF em monitorar, e promover a vacinação da Pentavalente – que previne Hepatite B. Os últimos dados lançados por UNICEF e OMS mostram que o Brasil reduziu o número de crianças sem nenhuma dose da vacina contra a Hepatite B de 360 mil, em 2023, para 50 mil, em 2025.

Avanços significativos, com o Brasil na liderança

Os avanços globais na prevenção e no tratamento do HIV demonstram que é possível proteger crianças e suas famílias. Nas últimas décadas, as mortes relacionadas à aids entre crianças caíram quase 70%, evitando mais de 2,2 milhões de mortes entre crianças e gestantes. Atualmente, 88% das mulheres grávidas vivendo com HIV têm acesso à terapia antirretroviral.

A eliminação da transmissão vertical está se tornando uma realidade cada vez mais alcançável. Até o momento, 23 países e territórios receberam certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV e/ou da sífilis. A América Latina e o Caribe lideram esse esforço, com Cuba sendo o primeiro país do mundo a receber essa certificação. O Brasil conquistou esse reconhecimento em 2025, e, mais recentemente, Bahamas e Ilhas Turcas e Caicos passaram a integrar esse grupo.

Impacto dos cortes de financiamento e soluções para acelerar a resposta

Anurita Bains, líder global de HIV/Aids do UNICEF, participou de sessões sobre HIV pediátrico, fortalecimento dos sistemas públicos de saúde e liderança juvenil.

“Os agentes comunitários de saúde e os programas de apoio entre pares muitas vezes são o único ponto de contato que uma jovem mãe vivendo com HIV tem com o sistema de saúde. Precisamos capacitar os jovens para liderar e moldar as políticas e os programas que afetam suas vidas”, disse ela.

O UNICEF também destacou o potencial do Lenacapavir, uma nova opção preventiva injetável de longa duração que pode ampliar significativamente a proteção de adolescentes e mulheres jovens com maior risco de infecção. Garantir que essa inovação chegue a quem mais precisa exigirá investimentos em sistemas de saúde, mobilização comunitária e programas voltados para a juventude.

Ciência, comunidade e financiamento

A AIDS 2026 ocorreu em um momento crítico: faltando apenas quatro anos para atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030, a conferência deixou claro que crianças, adolescentes e mulheres jovens precisam permanecer no centro da resposta. O mundo já possui as ferramentas necessárias; o que está em risco são os investimentos para utilizá-las. A mensagem foi clara: nenhum país conseguirá acabar com a aids sozinho. Com compromisso político, financiamento adequado e ações concretas, é possível garantir que nenhuma criança seja deixada para trás.

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