O lenacapavir, produzido pela empresa americana Gilead, é um novo medicamento revolucionário que previne a infecção pelo HIV com apenas duas injeções por ano.
Os acordos foram anunciados na quarta-feira, dia 24, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. A UNITAID, a Clinton Health Access Initiative (CHAI) e a Wits RHI fornecerão apoio financeiro, técnico e regulamentar ao fabricante indiano de genéricos Dr Reddy’s Laboratories, permitindo que o custo anual das injeções seja de apenas 40 dólares americanos.
A Fundação Gates apoiará o fabricante indiano de genéricos Hetero Drugs com financiamento inicial e garantias de volume para garantir um custo de cerca de US$ 40 por paciente por ano, após o curto regime oral de pré-tratamento.
Sobre Lenacapavir
Os novos medicamentos de ação prolongada tornarão a prevenção do HIV mais fácil e acessível para as pessoas que mais precisam. O lenacapavir se somará ao conjunto de opções de prevenção do HIV atualmente disponíveis, incluindo preservativos, anéis vaginais e pílulas de prevenção diárias.
Os resultados do ensaio PURPOSE 1, realizado com mulheres cis de países da África, demonstraram que o lenacapavir teve uma eficácia de 100% na prevenção do HIV. O PURPOSE 2, realizado na Argentina, Brasil, México e Peru, revelou que o lenacapavir teve uma eficácia de 96% na prevenção de novas infeções por HIV entre homens cis gays, bissexuais, mulheres trans, homens trans e pessoas não-binárias.
Custos e disponibilidade
O preço atual do lenacapavir para o tratamento do HIV nos EUA é de US$ 28 mil por pessoa por ano. Esses novos acordos, firmados com fabricantes de genéricos, reduziriam o preço da prevenção do HIV para apenas US$ 40 por pessoa por ano.
“Este é um momento decisivo. Um preço de US$ 40 por pessoa por ano é um grande avanço que ajudará a ampliar o potencial revolucionário dos medicamentos injetáveis de longa duração contra o HIV”, disse Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.
Em uma pesquisa publicada no The Lancet HIV no início deste ano, especialistas estimaram que, se adquirido em grande escala, o custo do lenacapavir genérico poderia variar de US$ 35 a US$ 46 por pessoa-ano. Com a alta demanda, o custo cairia para US$ 25, tornando o medicamento acessível mesmo para países de baixa renda.
O UNAIDS tem defendido que os medicamentos de ação prolongada sejam acessíveis e estejam disponíveis para as pessoas que mais precisam desde que os estudos foram concluídos.
“A UNITAID, Gates Foundation, CHAI, Witts RHI, Reddy e Hetero mostraram hoje o que é possível quando as empresas priorizam o acesso equitativo a medicamentos que salvam vidas. A Gilead agora precisa corresponder a essa ambição reduzindo o preço do lenacapavir, sendo totalmente transparente em relação aos custos e preços, expandindo sua licença de genéricos para incluir todos os países de baixa e média renda e permitindo que mais pessoas nos países em desenvolvimento tenham acesso rápido a esses medicamentos que salvam vidas”, disse Winnie.
Brasil continua excluído do acordo
Mesmo com os novos acordos, Brasil continua fora da lista de 120 países que pode se beneficiar da disponibilização da versão genérica de sua injeção. Embora essa medida represente um avanço na resposta global ao HIV e beneficie quem está ficando para trás em países de baixa renda, lamentavelmente exclui muitos países de renda média, dez deles na América Latina: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai e Peru.
“Considero o anúncio uma excelente notícia, permitindo o acesso à nova tecnologia a um número expressivo de pessoas que vivem em países de renda baixa ou média, mas lamento profundamente o fato do Brasil ter sido excluído desta política de acesso, privando a população brasileira deste avanço da ciência”, destaca Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (DATHI).
Nota: o acordo se enquadra na licença voluntária da Gilead, que permite que seis fabricantes de genéricos produzam lenacapavir para uso em 120 países, principalmente de baixa e média-baixa renda.




