UNAIDS MANIFESTA APOIO A INVESTIGAÇÃO DE INCÊNDIO QUE MATOU 45 MULHERES SOROPOSITIVAS E USUÁRIAS DE DROGAS NA RÚSSIA; PARA UNODC, ACIDENTE TEM LIGAÇÃO COM ESTIGMA

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12/12/2006 – 17h

Um incêndio em um centro de reabilitação para viciados em drogas em Moscou, Rússia matou 45 pessoas no último dia 8. Outras 10 foram hospitalizadas devido a intoxicação. Os bombeiros não descartam a possibilidade de um incêndio criminoso. Em notas oficiais, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e o Diretor-Executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antonio Maria Costa, manifestaram profundo pesar sobre o caso e pedem investigações mais profundas para apurar o acidente.


Segundo os bombeiros, a maioria das vítimas morreu intoxicada pela fumaça, enquanto dormia. O chefe dos bombeiros da Rússia, Yuri Nenashev, disse que está “90% certo” de que o incêndio foi criminoso.
De acordo com a UNODC, a maioria das vítimas eram portadoras do HIV e acredita que o crime tem ligação com estigma contra mulheres usuárias de drogas naquele país.

“A morte dessas mulheres é uma tragédia”, disse Antonio Maria Costa durante uma Conferência na Jordânia. “Elas tiveram coragem de tentar escapar do inferno do uso das drogas, mas infelizmente não tiveram meios de fugir do incêndio”. Costa pediu uma investigação completa sobre as causas da tragédia.

O UNAIDS, em nota oficial, reitera o apelo por medidas que assegurem a dignidade e os direitos humanos, em parceria com a compaixão e a tolerância. “Todas as abordagens para lidar com a dependência das drogas e HIV devem estar baseadas em estratégias de redução de danos comprovadas cientificamente e evidências,” ressaltou o Dr. Peter Piot, Diretor Executivo do órgão das Nações Unidas.

O Diretor Executivo do UNODC fez um pedido para que as autoridades russas melhorem a prevenção e o tratamento para enfrentar uma epidemia do uso de drogas e a infecção do HIV/Aids, especialmente por meio de drogas injetáveis. Grande parte dos casos de Aids na Rússia se deve ao uso de heroína, relacionado também ao aumento na produção de ópio no Afeganistão.

Segundo a BBC Brasil, em fevereiro e março deste ano, especialistas em segurança já haviam recomendado o fechamento temporário do hospital devido ao risco de incêndio. Mas a recomendação não foi adotada.

Janelas com grades

Conforme o porta-voz do corpo de bombeiros de Moscou, Yevgeny Bobylylov, o hospital demorou para pedir socorro.

“Os funcionários também agiram muito mal. Eles não tomaram providências para evacuar as pessoas no início do incêndio”, disse Bobylylov, segundo a agência de notícias Associated Press.
No entanto, há a suspeita de que os funcionários tenham sido tomados pela fumaça tão rapidamente que não tiveram tempo de agir.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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