23/07/2014 – 12h50
Com a epidemia de aids entrando em sua quarta década e dada a maior disponibilidade do tratamento, há agora um maior número de pessoas que vive com o HIV por 20 anos ou mais. Alguns nasceram com o vírus e estão chegando à vida adulta, enquanto outros são membros da população envelhecendo com o HIV. De acordo com o que foi discutido em um painel na terça-feira, 22 de julho, na 20ª Conferência Internacional de Aids, muito mais precisa ser feito para incluir as necessidades e preocupações de ambos os grupos em uma resposta à aids que seja inclusiva.
O evento Diálogos Positivos 20+ , organizado pelo Unaids, focou nas vidas e experiências daqueles que tem vivdo com o HIV por décadas e debatido as questões emergentes.
Stephen Watiti, um médico de 60 anso de Uganda, que vive com o vírus por mais de 25 anos, é um dos 3.6 milhões de soropositivos com mais de 50 anos. Ele falou sobre suas preocupações a respeito da doença conforme ele envelhece, como os efeitos colaterais a longo prazo por estar em tratamento po 20, 30 ou 40 anos e de como lidar com as doenças não transmissíveis, como o diabetes, que também pode atingir pessoas vivendo com o HIV à medida que envelhecem.
Lwendo Mbulo, uma ativista da Zâmbia de 23 anos que nasceu com o HIV e hoje é mãe de uma criança soronegativa, foi bem-sucedida no acesso aos serviços de prevenção da transmissão vertical do HIV, incluindo os serviços de planejamento familiar. Ela também apoiou intervenções abrangentes de saúde reprodutiva para jovens e o aumento da proteção social focada em crianças nascidas em famílias afetadas pelo HIV.
Um homem gay de 70 anos, John Rock, enfatizou como o seu local de nascimento pode ser um fator determinante para o acesso aos serviços de HIV.
Os participantes concordaram que era hora de se adaptar a uma mudança de perfil de uma epidemia de aids cada vez mais complexa. Foi discutido que em uma abordagem de um ciclo de vida as pessoas podem ser alcançadas com um espectro de prevenção do HIV, tratamento, cuidado e serviços de apoio por todas suas vidas.
Frases
“Enquanto pessoas com poder político, como nós continuamos garantindo que todas as pessoas vivendo com HIV possam continuar a ter uma boa qualidade de vida? Nós não fizemos exatamente um bom trabalho em lidar com o aspecto não biológico das pessoas vivendo com HIV, como a depressão, a vida sexual, emprego, etc”
Suzette Moses-Burton, Diretora Executiva da Rede Global de Pessoas Vivendo com o HIV
“Quando eu descobri que era HIV positiva. meus sonhos foram destruídos. Eu mal sabia que com o HIV eu poderia ficar com a juventude como uma voz para o HIV”.
Lwendo Mbulo, ativista, da Rede Zambiana de Pessos vivendo com HIV/Aids
“Eu estou vivo hoje, 30 anos desde que contraí HIV, majoritariamente por causa do ótimo tratamento que eu tenho aqui na Austrália. Eu acredito que todo mundo, independente de onde mora, deveria poder ter acesso a um tratamento de qualidade”.
John Rock, ativista e membro da Rede Ásia-Pacífico de Pessoas Vivendo com HIV
“O que sempre tem me atraído em trabalhar com essa doença e encontrar a cura é o poder e a inspiração das pessoas vivendo com HIV. Suas vozes têm nos empurrado, nos dito o que não estava funcionando e que vocês precisavam de mais.”
Deborah Birx, Coordenadora dos Estados Unidos do Global Aids
“Hoje, bebês continuam nascendo com o HIV, e a nossa esperança é que eles continuem vivendo por muito anos. Conforme eles ficam mais velhos, suas necessidades vão aumentar e nós queremos assegurar que nós estamos aqui para dar o suporte necessário em cada etapa do caminho”
Mbulawa Mugabe, UNAIDS



