Relatório inédito, lançado durante a conferência no Rio de Janeiro, mostrará os impactos dos cortes de recursos na resposta mundial ao HIV, enquanto líderes globais discutem como transformar compromissos da ONU em ações concretas até 2030
A 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026), que será realizada entre os dias 26 e 31 de julho, no Rio de Janeiro, marcará um momento decisivo para a resposta global ao HIV. Poucas semanas após a Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre HIV e Aids, quando os países aprovaram uma nova Declaração Política e renovaram o compromisso de acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030, a conferência será o primeiro grande teste da capacidade mundial de transformar promessas em ações concretas.
Em um cenário marcado pela redução do financiamento internacional, pressões sobre os sistemas de saúde e aumento das desigualdades, o Unaids chega à conferência defendendo que o enfrentamento da epidemia dependerá da manutenção da liderança política, da proteção dos serviços comunitários e da mobilização de recursos sustentáveis para prevenção, tratamento e cuidado.
A abertura oficial da conferência, na segunda-feira (27), será marcada pelo lançamento do relatório especial “Unidos para Acabar com a Aids”, documento que reunirá os dados mais recentes da epidemia até 2025 e apresentará um panorama do impacto provocado pelos cortes e interrupções no financiamento global ocorridos no último ano. O relatório também mostrará os avanços conquistados na resposta ao HIV e apontará os principais desafios para que as metas pactuadas pela ONU possam ser alcançadas.
Segundo o Unaids, o momento exige que os compromissos assumidos internacionalmente sejam rapidamente incorporados às políticas nacionais, especialmente nos países mais afetados pela epidemia. Para isso, será necessário fortalecer o compromisso político dos governos e garantir investimentos capazes de sustentar programas de prevenção, diagnóstico, tratamento e redução das desigualdades.
Três prioridades para acelerar a resposta
Durante toda a conferência, a atuação do Unaids estará organizada em torno de três grandes prioridades estratégicas.
A primeira será apoiar os países na implementação das metas previstas na Estratégia Global de Combate à Aids 2026-2031 e na nova Declaração Política das Nações Unidas sobre HIV e Aids.
A segunda consiste em proteger os programas de prevenção do HIV e os serviços liderados pelas comunidades, considerados fundamentais para alcançar populações-chave, mulheres, meninas e jovens, especialmente diante do cenário de retração dos recursos internacionais.
A terceira prioridade será discutir mecanismos para garantir financiamento sustentável, combinando a preservação da cooperação internacional com o fortalecimento dos investimentos nacionais e do planejamento de longo prazo.
Programação destaca liderança política, juventude e direitos humanos
As atividades do Unaids começam antes mesmo da abertura oficial da conferência.
No domingo (26), um dos primeiros debates da programação abordará a integração entre saúde sexual e reprodutiva, HIV e liderança comunitária. O encontro discutirá como reconstruir sistemas de saúde mais resilientes diante das transformações no cenário político e financeiro internacional, tendo como eixo central os direitos humanos e a equidade.
Na segunda-feira (27), além do lançamento do relatório especial do Unaids, especialistas e representantes de governos participarão do simpósio “Tornar a eliminação do HIV nas Américas uma realidade”, que apresentará oficialmente a Aliança para a Eliminação do HIV nas Américas, iniciativa regional criada para acelerar o cumprimento das metas até 2030 por meio da articulação entre evidências científicas, políticas públicas e cooperação entre países.
Ainda no mesmo dia será inaugurada a Zona de Networking Feminino da conferência, espaço voltado ao fortalecimento da liderança das mulheres na resposta global ao HIV.
Juventude, mulheres e combate às desigualdades
A participação dos jovens estará no centro das discussões na terça-feira (28), quando representantes da Y+ Global e organizações parceiras discutirão os desafios enfrentados pelas iniciativas lideradas por adolescentes e jovens. O objetivo será avaliar se as novas estratégias globais estão conseguindo manter essa população no centro das políticas públicas e identificar caminhos para ampliar sua participação na formulação e implementação das respostas ao HIV.
Na quarta-feira (29), a programação dará destaque à liderança política em um momento considerado decisivo para a resposta global à epidemia. Um simpósio reunirá especialistas para discutir como conciliar solidariedade internacional e soberania nacional diante das mudanças no financiamento global da saúde.
No mesmo dia, o debate sobre o direito à saúde contará com a participação da futura Relatora Especial das Nações Unidas para o Direito à Saúde, Mariângela Simão, ao lado da diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima.
Ainda na quarta-feira, Winnie Byanyima fará a conferência principal do simpósio “Liderando para o futuro”, dedicado ao fortalecimento das políticas voltadas para mulheres, crianças e adolescentes como estratégia essencial para o controle sustentável da epidemia.
HIV, pandemias e financiamento global
Na quinta-feira (30), o Unaids ampliará o debate sobre o HIV ao inseri-lo no contexto das desigualdades globais e das futuras pandemias. Um dos destaques será a reunião do Conselho Global sobre Desigualdade, que contará com a participação do economista e Prêmio Nobel Joseph Stiglitz. A sessão discutirá como desigualdade, financiamento internacional e preparação para pandemias estão interligados e quais mudanças serão necessárias na arquitetura da saúde global.
Ainda na quinta-feira, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil participarão de um workshop sobre a nova Declaração Política da ONU, debatendo como o documento poderá ser utilizado como ferramenta de advocacy, monitoramento e responsabilização dos governos.
Encerramento reforça papel dos parlamentos
No último dia da conferência, sexta-feira (31), a programação do Unaids será encerrada com um debate dedicado ao fortalecimento da liderança parlamentar na resposta ao HIV.
A sessão discutirá como parlamentares podem contribuir para renovar o compromisso político assumido na ONU, recuperar o impulso das políticas públicas e garantir que a resposta global ao HIV permaneça como prioridade nas agendas nacionais nos próximos anos.
Redação da Agência de Notícias da Aids



