Unaids pede continuidade dos serviços essenciais de HIV diante da suspensão de financiamento dos EUA

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O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) fez um apelo para a continuidade dos serviços essenciais de HIV, diante da decisão dos Estados Unidos de interromper o financiamento da ajuda externa.

No último dia 29 de janeiro, o Unaids recebeu com satisfação a notícia de que o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, aprovou uma “Emergency Humanitarian Waiver”, permitindo que o tratamento para HIV financiado pelos EUA continuasse em 55 países ao redor do mundo. Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas — o equivalente a dois terços de todas as pessoas vivendo com HIV que recebem tratamento globalmente — dependem diretamente do United States President’s Emergency Plan for AIDS Relief (PEPFAR).

Apesar da manutenção do tratamento para HIV, a supervisão e monitoramento desses serviços continuam sendo essenciais. O Unaids alerta que outros serviços críticos de HIV, especialmente aqueles voltados para populações marginalizadas, incluindo crianças, mulheres e populações-chave, também devem prosseguir sem interrupção. Em 2024, o PEPFAR atendeu 83,8 milhões de pessoas com serviços de teste de HIV, alcançou 2,3 milhões de meninas adolescentes e mulheres jovens com prevenção, prestou apoio a 6,6 milhões de crianças vulneráveis e seus cuidadores, e inscreveu 2,5 milhões de pessoas na profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenir a infecção.

Desde sua criação, o PEPFAR tem sido um pilar na luta contra o HIV, salvando milhões de vidas, principalmente nos países mais afetados. O Unaids enfatiza a importância da continuidade desse programa. Segundo dados globais, 1,3 milhão de pessoas são infectadas com HIV anualmente, o que equivale a 3.500 novas infecções por dia. Na África, o risco entre meninas e mulheres jovens é alarmante: toda semana, 3.100 jovens entre 15 e 24 anos contraem HIV. Pelo menos metade das populações-chave segue sem acesso a serviços de prevenção.

Mulheres grávidas em regiões de alta prevalência precisam de acesso a testes de HIV para garantir tratamento adequado e impedir a transmissão vertical. No entanto, a interrupção do financiamento coloca em risco a continuidade desses cuidados. Muitas organizações que prestam serviços financiados pelo PEPFAR relatam dificuldades e possibilidade de fechamento por falta de recursos, gerando um cenário de incerteza.

O Unaids segue monitorando o impacto da decisão e fornecerá atualizações frequentes sobre os desdobramentos. Flavia Kyomukama, diretora executiva do NAFOPHANU, expressou preocupação: “O PEPFAR nos deu esperança e agora a ordem executiva está destruindo a própria esperança que ele oferecia para todas as pessoas vivendo com HIV e nossas famílias. Como comunidades, estamos em choque com o fechamento contínuo de clínicas. Exigimos resolutamente que todos os nossos governos venham rapidamente para preencher a lacuna em recursos humanos necessários no momento para garantir a sustentabilidade da prestação de serviços de HIV”.

A rede global de pessoas vivendo com HIV do Zimbábue (ZNNP+) também alertou para os impactos da medida, incluindo o acesso reduzido a serviços essenciais e a perda de confiança da comunidade. “O congelamento do fundo PEPFAR levará a África do Sul e o mundo para trás em termos dos ganhos que fizemos em nossa resposta ao HIV”, afirmou Anele Yawa, Secretário-Geral da Treatment Action Campaign.

Com novos medicamentos de prevenção e tratamento de HIV de longa duração chegando ao mercado, o Unaids pede que os EUA intensifiquem seus esforços e não reduzam o financiamento para combater a aids. O programa reafirma seu compromisso em trabalhar com governos e doadores para garantir uma resposta robusta e atingir a meta de acabar com a aids como uma ameaça à saúde pública até 2030.

Redação da Agência Aids com informações

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