Um filme para emocionar, aprender, reaprender e rever valores. Assim é ‘Clube de Compras Dallas’

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07/04/2014 – 19h15

Destaque do Oscar 2014, por ter dado a estatueta de melhor ator a Matthew McConaughey, por sua impecável atuação como Ron Woodroof, o filme “Clube de Compras Dallas” continua lotando as salas de cinema. É baseado na história real de um eletricista de Dallas diagnosticado com aids em 1985. Na trama, os médicos dão a ele seis meses de vida e, diante da falta de medicação nos Estados Unidos, Ron decide traficar remédios para ajudar a ele mesmo e aos outros pacientes.

Para interpretar o personagem soropositivo, McConaughey emagreceu 15 quilos. Dirigido por Jean-Marc Vallée, "Clube de Compras Dallas" também foi premiado nas categorias de melhor ator coadjuvante (Jared Leto, que no filme interpreta, muito bem, a travesti Rayon) e maquiagem.

A Agência de Notícias da Aids convidou o psicólogo Ieslei Ferreira Fernandes, coordenador do Cinema Mostra Aids, do Grupo Pela Vidda de São Paulo, para comentar o longa metragem. Veja, a seguir, a crítica de Ieslei:

O filme “Clube de Compradores Dallas" cativa a atenção por causa do enredo, que retrata um momento histórico carregado de preconceito, não só contra os homossexuais e as pessoas vivendo com HIV/aids como também contra a população menos favorecida nas esferas social e econômica.
O roteiro, sensível, tem o grande mérito de envolver o público a ponto de torná-lo não só cúmplice como também solidário às causas da luta contra a aids, num momento em que predominavam o descaso dos governos e a ganância das indústrias farmacêuticas. Ou seja, frente à vunerabilidade e à ausência de conhecimento médico sobre a vida das pessoas, na década de 80, quando receber o diagnóstico de HIV era sinônimo de ser condenado à morte, bem quando as pessoas no mundo estavam desfrutando as conquistas da liberação sexual.

O retrato que essa obra recorta mostra a visão de um indivíduo heterossexual, Ron Woodroof (Matthew McConaughey), que, ao receber o diagnóstico de HIV e o prognóstico de que tem apenas um mêsde vida, resolve aproveitar o seu o tempo restante para salvar a si mesmo e aos outros infectados. O que ele empreende nessa busca o leva por caminhos surpreendentes, de grandes descobertas sobre o caráter humano, a solidariedade e a falta desta, de coragem e de amor.
A necessidade de sobrevivência de Ron, frente ao desespero,o leva a infringir a lei para acessar pesquisas científicas fora do território americanoe, assim, conseguir vender medicações e suplementos que prometiam qualidade e prolongamento da vida pós diagnóstico.

Há muito tempo não era produzido um filme de longa metragem com conteúdo e qualidade tão ímpares nessa temática da aids. Ele consegue captar as nuances emocionais dos que viveram com HIV/aids numa época sem esperanças, desde o diagnóstico do protagonista, passando pelos sentimentos de negação, revolta, luta pela sobrevivência e valorização da vida.

A história ainda mostra as falhas da legislação norte-americana e das hipóteses médicas a respeito das medicações disponíveis, dosagens e pesquisas realizadas no tratamento do HIV. É a luta de um indivíduo heterossexual, não ativista, atuando de maneira altruísta nos bastidores dos grandes grupos e movimentos contra a falta de ética, a morosidade e a má vontade do governo dos Estados Unidos. Bem diferente do filme “Como Sobreviver a Uma Praga”, indicado ao Oscar em 2013, quemostrava, de uma maneira mais geral, a história sobre o ativismo.Vale a pena conferir no cinema.

Ieslei Ferreira Fernandes

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