Ubatuba discute a aids e ações de prevenção às vésperas do Carnaval

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21/02/2014 – 12h15

Cerca de 50 pessoas formaram uma plateia participativa e interessada em discutir o tema aids no auditório da Câmara Municipal de Ubatuba na noite desta quinta-deira (19), durante o evento  “Ubatuba Contra a Aids: Informação, Acolhimento e  Cidadania. Parte da plateia foi formada por adolescentes do terceiro colegial da escola estadual Aurelina Ferreira e seus professores. Também estiveram na plateia o secretário de Meio Ambiente, Juan Blanco, e o de Turismo, Gerson Campos, médicos, psicólogos, funcionários públicos e ativistas.

Promovida pelas Secretarias de Saúde e Cidadania do município e pelo Instituto Blablablá, a roda de palestras e bate papos faz parte da campanha de prevenção das DSTs  do  Carnaval. “Aproveitamos esse período para chamar a atenção para a importância da prevenção e de outros temas que precisam ser mantidos sempre  em pauta”, disse a secretária  da Saúde Ana Emílio Gaspar.

Ao abrir o evento, o secretário da Cidadania e do Desenvolvimento Social Sérgio Maida fez um breve histórico da epidemia da aids e disse que, hoje, o maior problema da doença é o preconceito. “Aliás”,  comentou ele, “o  preconceito é o maior inimigo da humanidade, porque se manifesta em todos os setores, não só no da aids, atingindo as pessoas mais fragilizadas. É a porta de entrada do fascismo e a melhor maneira de combatê-lo é dando educação e acolhimento e ajudando a promover a cidadania.”

O médico infectologista Fernando Skazufka Bergel disse que a aids tem tido grandes avanços e o serviço de atendimento público da cidade, em geral, consegue acompanhá-los. “O que podemos oferecer aos pacientes daqui é o que temos de melhor em todo o Brasil”, disse o médico, que se formou em São Paulo, fez residência no Emílio Ribas e está há 17 anos no Programa Municipal de DST/Aids de Ubatuba.

Fernando contou que há muita dificuldade de adesão dos pacientes ao tratamento e isso tem acontece, na maioria das vezes, por causa da dependência química. “A epidemia do crack mina nossos esforços.”

Luiz Aparício, psicólogo que faz atendimento no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) destacou que o tratamento da aids, precisa  enxergar o ser humano como um todo e não apenas os sintomas que ele aparenta.  “A adesão a esse e a qualquer outro tratamento só é possível quando o paciente passa a se gostar e, consequentemente, ter mais cuidado com ele mesma. Precisamos  sensibilizar as pessoas para o exercício da vida.”

A secretária da Saúde  Ana Emília  falou que a cidade está reorganizando o serviço de atendimento com o objetivo de combater a falta de adesão ao tratamento de HIV/aids. Ela disse que os agentes do Programa de Saúde da Família serão capacitados para fazer o trabalho de prevenção e o Saúde na Escola vai atuar junto à população entre 13 e 14 anos, uma das mais vulneráveisao HIV  atualmente, com registro de  altos índices de infecção.

Ana lembrou que a verba para tratar a doença está longe  de ser  suficiente. “Tivemos 75 mil reais do Plano de Ação e Metas, em três parcelas de 25 mil, e gastamos 700 mil em 2013”, disse a secretária, que apontou outros números: São, segundo ela, 210 adultos com HIV/aids atendidos no serviço municipal mais nove crianças.

O tema preconceito voltou à mesa na fala da ativista Simara Retti, fundadora da ONG  Instituto  Blablablá Posthivo, do EspaSOL  e escritora, que mora na região.  Ela contou que é de São Paulo e foi muito bem acolhida em Ubatuba quando decidiu se mudar para a cidade. “Aqui, descobri que os verdaddeiros amigos gostam da gente do jeito que a gente é.”

Única palestrante de fora da cidade,  a escritora e editora-executiva dessa agência, Roseli Tardelli , fez para a plateia e a mesa  uma apresentação do tratamento do tema aids na mídia desde o surgimento das primeiras notícias, em 1981, até os dias de hoje.  Ela criticou a falta de atenção do atual governo federal com o tema, especialmente a ausência de diálogo com a sociedade civil. “Acho que a presidenta Dilma Rousseff e seus ministros estão precisando de  um otorrino porque não estão conseguindo ouvir o que a população está  dizendo”, disse, “Acho uma pena o que estão fazendo com o tratamento da aids e lamento muito que o Brasil esteja perdendo a vanguarda nesse setor.”

Roseli está na cidade para fazer, nesta sexta-feira (dia 21) o lançamento do livro “O Valor da Vida – 10 Anos da Agência Aids”, em que relata sua experiência à  frente deste portal de notícias sobre a aids. A jornalista lançou fez o primeiro lançamento em São Paulo, no dia 1º. de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a Aids.

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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