No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, o Mopaids – Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids – divulgou uma nota pública em que reforça o papel da luta comunitária no enfrentamento da doença e denuncia a persistência de desigualdades sociais como motor da epidemia no Brasil.
Para o movimento, a tuberculose está longe de ser apenas uma questão biomédica. Trata-se de uma doença diretamente ligada à pobreza, às condições precárias de vida e à ausência de políticas públicas efetivas. “A tuberculose avança onde faltam direitos básicos, como moradia, alimentação e acesso à saúde”, afirma o Mopaids no documento.
A nota também destaca que a resposta à doença exige enfrentamento estrutural das desigualdades. Segundo o movimento, sem políticas públicas afirmativas e sem o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), não será possível avançar no controle da tuberculose no país.
Outro ponto central do posicionamento é a relação entre tuberculose e HIV. O Mopaids chama atenção para o fato de que a TB segue como a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV, evidenciando falhas na integração entre as políticas públicas voltadas às duas condições.
“Pessoas vivendo com HIV enfrentam maior risco de adoecimento por tuberculose, além de barreiras adicionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento”, destaca o texto. Para o movimento, é urgente a construção de estratégias integradas que garantam testagem, cuidado contínuo e acompanhamento adequado.
A nota ainda reforça que determinadas populações continuam sendo desproporcionalmente afetadas e negligenciadas pelas políticas públicas. Entre elas, estão pessoas vivendo com HIV, pessoas privadas de liberdade, população em situação de rua e povos originários.
Nesse contexto, o Mopaids também enfatiza o papel da Rede Paulista de Controle da Tuberculose, destacando que a rede integra o próprio movimento e atua na articulação entre sociedade civil e poder público, com foco no controle social e na ampliação do acesso ao cuidado.
A organização ressalta que não haverá eliminação da tuberculose sem o enfrentamento do racismo estrutural, da pobreza e das múltiplas formas de exclusão social. Para o movimento, a luta contra a TB está diretamente ligada à defesa de direitos e à justiça social.
Ao final, o Mopaids reafirma seu compromisso com a mobilização social e com a construção de respostas que coloquem no centro as populações mais afetadas. “Seguimos mobilizados por um mundo sem tuberculose — com equidade, dignidade e garantia de direitos para todas as pessoas”, conclui a nota.
Redação da Agência de Notícias da Aids



