Três milhões de brasileiros têm hepatite C e não sabem

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09/05/2014 – 13h30

Segundo o Ministério da Saúde, os cinco tipos de hepatites virais (A,B,C, D e E) já atingiram, desde 1999, quase 400 mil pessoas no país. Esses são os casos confirmados da doença, com pacientes que apresentaram sintomas. Mas o grande desafio para os especialistas é o grande número de pessoas que estão infectadas e não sabem. E essa situação se refere principalmente à hepatite C. Segundo o Departamento, são 3 milhões de infectados. A notícia está no site do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, em reportagem de Lucio Bernardo Jr., da Câmara dos Deputados.

Para debater essa situação e outros problemas relacionados às hepatites virais, a Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), da Câmara dos Deputados, realizou nesta quinta-feira (8) uma audiência pública reunindo especialistas, pacientes e Ongs. A CSSF é presidida pelo deputado Amauri Teixeira (PT-BA).
Ainda segundos dados do Ministério da Saúde, o tipo mais comum é a hepatite A que, nesse período, atingiu 138.305 pessoas. Em segundo, a hepatite B, com 120.343 casos.

Elisa Cattapan tem hepatite C há 17 anos e é coordenadora geral de Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Ela alerta que se trata de uma doença silenciosa. Elisa informa que o Ministério tem agilizado, desde setembro de 2013, a liberação e distribuição de medicamentos para os postos de saúde e hospitais públicos. Para ela, o maior problema é a falta de diagnóstico, o que resulta em um grande número de óbitos.

“Dos mais de 82 mil casos de hepatite C registrados nos últimos anos, 37% foram a óbito”, ressalta. Elisa mostra outra preocupação com o custo provocado também pela falta de diagnóstico. Como a doença não é detectada em tempo para tratamento, muitos casos terminam em transplante de fígado. Em 2013, foram 1.726 transplantes, 31% provocados pela hepatite C. Ela também pede campanhas de vacinação sistemática para combater a hepatite B, que está disponível gratuitamente nos postos de saúde para pessoas de 0 a 49 anos.

Momento decisivo

O infectologista Evaldo Araújo afirma que o país vive um momento decisivo no enfrentamento da hepatite C, só comparável à campanha para combater a aids. “Essa audiência pública é o início do fim da hepatite C no país. Com o apoio do Congresso, podemos conseguir uma política abrangente para combater a doença. A mortalidade aumentou a partir do ano 2000 e, mesmo com novos tratamentos a partir de 2012, os óbitos continuam aumentando. Falta acesso ao tratamento e os marginalizados sofrem mais, como os presidiários e a população de rua”, afirma Evaldo. O especialista lembra que também deveria ser incentivada a produção de medicamentos genéricos antivirais.

O deputado Geraldo Thadeu (PSD-MG), um dos requerentes da audiência pública, destacou o trabalho feito pelo Ministério da Saúde para combater a hepatite, com mais agilidade na distribuição dos medicamentos e a construção de mais laboratórios. Hoje, cada estado tem pelo menos um laboratório com capacidade para realizar análises sobre a doença. O deputado sugere que em todas as solicitações de exames clínicos de qualquer paciente também seja incluído o exame para detecção de hepatites. Já o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) pede a mobilização da sociedade civil e dos parlamentares para o aumento dos recursos para o financiamento da saúde. Ele informa que este ano o déficit na saúde pública deve chegar a R$ 8 bilhões.

Diagnóstico precoce

O gastroenterologista Hoel Sette Júnior ressalta que testes de diagnóstico estão disponíveis em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS), como o teste rápido para triagem das hepatites B e C. “O diagnóstico precoce proporciona acesso ao tratamento em tempo adequado, o que previne as complicações da infecção crônica como cirrose, câncer e até o transplante de fígado”, alerta Hoel.

Tipos, causas e vacinas

A hepatite A, que tem o maior número de casos, está diretamente relacionada às condições de saneamento básico e higiene.

Já a hepatite B, o segundo tipo com maior incidência, atinge maior proporção de transmissão por via sexual. A melhor forma de prevenção para a hepatite B é a vacina, associada ao uso do preservativo.

A hepatite C, com 82.041 casos, tem como principal forma de transmissão o contato com sangue. De acordo com o Ministério da Saúde, de 70% a 80% das infecções se cronificam e podem evoluir para cirrose e de 1% a 5% para câncer do fígado.

A hepatite D, com 2.197 casos, tem como principal forma de transmissão a via sexual. O diagnóstico precoce e a vacina para a hepatite B podem evitar a transmissão pelo tipo D. Esse tipo da doença é endêmico na Região Norte.

A hepatite E ocorre por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus. É rara no Brasil e tem 967 casos na pesquisa feita pelo Ministério da Saúde. A melhor forma de evitar a doença é pela melhoria do saneamento básico e por medidas educacionais de higiene.

Mortes provocadas por hepatites

Entre as mortes atribuídas especificamente às hepatites virais no Brasil, o maior número registrado entre os anos de 2000 a 2011 foi decorrente da hepatite C, com 16.896 óbitos. Em seguida, encontra-se a hepatite B, com 5.520 óbitos declarados. Esses números são extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Dica de entrevista
:
Departamentro de DST/Aids e Hepatites Virais
Tel.: (61) 3315-7665

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