Três a cada quatro pessoas trans não brancas têm renda de até um salário mínimo, informa Folha de S.Paulo

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Salário mínimo de R$ 1.550 é aprovado em São Paulo | São Paulo | G1

Três em cada quatro pessoas trans e travestis não brancas no Brasil recebem até um salário mínimo, aponta levantamento do Fonatrans (Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros). O relatório será divulgado nesta segunda (27).

A pesquisa, que ouviu mais de 400 pessoas em todas as regiões do país, mostra que 41% têm renda abaixo do piso nacional. Somente 6% ganham acima do valor equivalente a dois salários mínimos.

Entre os participantes, 55,62% se identificaram como pretos, 42,89% como pardos e 1,44% como indígenas.

“O conteúdo desse trabalho evidencia o descaso do Brasil com essa população, sobretudo a ausência do compromisso do Estado em assegurar direitos básicos como educação, saúde, moradia, empregabilidade, lazer entre outros”, diz o relatório.

A pesquisa considerou o valor de R$ 1.502, projetado para o salário mínimo durante a aplicação dos formulários, entre maio e junho de 2024. O governo sancionou, no final do ano passado, a remuneração em R$ 1.518, válida desde 1º de janeiro.

A maioria dos entrevistados (54,17%) afirma que trabalha sem carteira assinada. Desse total de informais, 15% atuam na prostituição. Dois terços dos participantes afirmam ter até 35 anos e menos de 5% têm mais de 50.

O levantamento revela que 61,74% dos entrevistados abandonaram os estudos, principalmente devido a dificuldades financeiras (52,07%) e transfobia (28,79%).

Apenas 7% dos entrevistados consideram boas as políticas públicas voltadas à população trans no Brasil. Os problemas mais citados são a baixa acessibilidade e recursos insuficientes.

Quando questionados sobre o que o Estado pode fazer para melhorar a vida da população trans, 32% dos entrevistados apontam a educação de qualidade como prioridade.

O respeito por parte das instituições (17%) e a formação profissional (16%) aparecem na sequência. A garantia de permanência na escola (9%), cultura acolhedora (8%) e empregabilidade (4%) também são mencionadas.

Somente 9% afirma ter uma rede de apoio familiar satisfatória.

O Fonatrans ressalta que, por ser online, o levantamento pode ter subnotificado pessoas trans em situação de rua, sem acesso digital.

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