Tratou uma IST? Parcerias sexuais também devem procurar atendimento para evitar reinfecção, alerta Ministério da Saúde

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Publicação do órgão reforça que interromper a cadeia de transmissão depende da avaliação, testagem e, quando indicado, do tratamento das pessoas envolvidas; atendimento é oferecido gratuitamente pelo SUS

Receber o diagnóstico de uma infecção sexualmente transmissível, iniciar o tratamento e seguir corretamente as orientações médicas são passos fundamentais para recuperar a saúde. Mas, em muitos casos, o cuidado não termina em uma única pessoa. Se uma parceria sexual também estiver com a infecção e não receber atendimento, quem concluiu o tratamento poderá adquiri-la novamente.

O alerta foi reforçado pelo Ministério da Saúde em uma publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (12). Com uma linguagem simples e direta, o órgão chamou a atenção para uma situação que ainda provoca muitas dúvidas: “Se só um trata, ela pode voltar”.

A nova infecção após uma exposição sexual é chamada de reinfecção. Isso pode acontecer quando uma pessoa recebe o tratamento adequado, mas volta a ter relações sexuais com alguém que permanece com a mesma IST. Por isso, tratar apenas quem recebeu o primeiro diagnóstico pode não ser suficiente para interromper a circulação da infecção.

Segundo o Ministério da Saúde, o controle das ISTs depende de uma atenção que alcance também as parcerias sexuais. A recomendação é que elas sejam avisadas, procurem uma unidade de saúde e recebam orientação profissional, testagem e tratamento, quando indicado.

Reinfecção não significa que o tratamento falhou

Quando uma IST volta a ser identificada depois do tratamento, uma das possibilidades é que tenha ocorrido uma nova exposição ao agente infeccioso. Isso é diferente de uma falha terapêutica ou da persistência da infecção, situações que somente podem ser diferenciadas por uma equipe de saúde.

A sífilis é um exemplo importante. Embora tenha cura, a infecção não produz imunidade: uma pessoa pode tratar-se corretamente e voltar a adquirir a bactéria se tiver uma nova exposição. Por isso, as parcerias também devem ser avaliadas e, conforme o tempo transcorrido desde o contato e o resultado dos exames, podem receber tratamento mesmo sem apresentar sintomas.

O tamanho do desafio aparece nos dados mais recentes disponíveis. Em 2024, o Brasil registrou 256.830 casos de sífilis adquirida, além de 89.724 casos em gestantes e 24.443 casos de sífilis congênita, transmitida durante a gestação. Os números constam no Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, publicado pelo Ministério da Saúde.

É preciso procurar atendimento mesmo sem sintomas

Uma pessoa pode ter uma IST e não apresentar qualquer manifestação. Esse é justamente o motivo pelo qual a expressão “doença sexualmente transmissível”, a antiga DST, foi substituída por “infecção sexualmente transmissível”: a infecção pode estar presente e ser transmitida mesmo quando não existem sinais visíveis.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir corrimentos, feridas, verrugas na região genital ou anal, ardência ao urinar, dor pélvica, ínguas e desconforto durante as relações sexuais. Algumas manifestações surgem e depois desaparecem, o que pode causar uma falsa impressão de cura.

A ausência de sintomas, portanto, não elimina a necessidade de procurar atendimento quando uma parceria recebeu o diagnóstico de uma IST. A equipe de saúde avaliará o tipo de infecção, o período em que ocorreu o contato, a necessidade de exames e a indicação ou não de tratamento.

Todas as parcerias precisam tomar o mesmo medicamento?

Não necessariamente. A conduta varia de acordo com a IST e com a situação de cada pessoa.

Em infecções como sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase, a avaliação e o tratamento das parcerias costumam ser fundamentais para interromper a transmissão e prevenir novos episódios. Em outras condições, o atendimento pode envolver testagem, acompanhamento clínico, vacinação, medidas de prevenção ou tratamento apenas quando houver indicação.

Por isso, a orientação não é dividir medicamentos, repetir por conta própria a receita recebida pela outra pessoa nem recorrer à automedicação. As parcerias devem procurar uma unidade de saúde para que a conduta seja definida individualmente.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST também orienta que, durante o atendimento, sejam oferecidos exames para outras infecções, como HIV, sífilis e hepatites B e C, além de informações sobre prevenção combinada.

Avisar é uma atitude de cuidado, não de culpa

Falar sobre uma IST com uma parceria pode provocar medo, vergonha, insegurança ou receio de julgamento. Mas a comunicação é uma medida de cuidado com a saúde de todas as pessoas envolvidas.

Como muitas infecções podem permanecer sem sintomas durante algum tempo, um diagnóstico não deve ser automaticamente interpretado como prova de infidelidade. A prioridade deve ser interromper a transmissão, garantir o acesso ao atendimento e evitar complicações.

O protocolo do Ministério da Saúde estabelece que a comunicação às parcerias precisa respeitar a confidencialidade, a dignidade, a ausência de coerção e a proteção contra qualquer forma de discriminação. Os serviços de saúde também podem orientar a pessoa sobre a melhor maneira de conduzir essa conversa.

O que fazer após o diagnóstico

A pessoa diagnosticada deve seguir o tratamento até o fim, mesmo que os sintomas desapareçam antes, e respeitar as orientações sobre o período necessário de interrupção das atividades sexuais ou de uso de preservativo.

As parcerias sexuais devem ser informadas e orientadas a procurar atendimento, inclusive quando não apresentam sintomas. Até que todas tenham sido avaliadas e recebam a orientação adequada, é importante seguir as medidas de prevenção recomendadas pela equipe de saúde.

Além dos preservativos internos e externos, a prevenção combinada inclui testagem periódica, vacinação contra HPV e hepatite B, diagnóstico e tratamento das ISTs e, para o HIV, acesso à Profilaxia Pré-Exposição, a PrEP, e à Profilaxia Pós-Exposição, a PEP.

Atendimento gratuito no SUS

O SUS oferece gratuitamente orientação, diagnóstico e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis. O atendimento pode ser procurado nas Unidades Básicas de Saúde e nos serviços especializados em IST.

Também estão disponíveis testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Dependendo da situação, a equipe poderá solicitar outros exames e definir o tratamento mais adequado.

Cuidar de uma IST não significa apenas tomar um medicamento. Significa também concluir o tratamento, proteger as parcerias, prevenir novas infecções e interromper uma cadeia de transmissão que muitas vezes continua silenciosamente.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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