26/07/2014 – 10h15
Uma droga 3 em 1 que inclui um tratamento experimental da Aliança Global para o Desenvolvimento de Drogas para a Tuberculose pode curar a doença mais rapidamente do que os tratamentos atuais, apontou estudo, trazendo esperança para pacientes com HIV.
Pelo menos um terço das 35 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo têm tuberculose latente e eles estão 30 vezes mais sujeito a desenvolver a doença ativa. A maioria das co-infecções está na África, onde a tuberculose é a maior causa de morte entre os soropositivos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Cerca de um quinto dos que têm HIV morrem pela infecção nos pulmões no mundo todo.
Em um experimento de dois meses, 71% dos pacientes com tuberculose se livraram da bactéria, tornando-se duas vezes mais efetivo que o tratamento padrão, de acordo com um estudo apresentado essa semana na 20ª Conferência Internacional da Aids, em Melbourne, na Austrália.
“Conseguir uma maneira de melhor de tratar os pacientes, especialmente parando a produção de resistência ao medicamento e curando mais rapidamente a resistência às drogas, é um passo fundamental para erradicar a tuberculose”, disse Mel Spigelman, presidente da unidade de Nova York da Aliança de Tuberculose, que desenvolveu o tratamento.
As co-infecções do HIV, incluindo a Hepatite C e a tuberculose, receberam grande atenção na Conferência deste ano. Foram apresentadas pesquisas com novas drogas que não têm interações perigosas com as terapias para o HIV.
Cerca de 20% dos pacientes envolvidos no estudo tinham HIV e mostraram o mesmo nível de sucesso que os pacientes que não tinham o vírus, disse Spigelman.
Tratamento atual
Os tratamentos atuais para a tuberculose resistentes aos medicamentos envolvem injeções diárias por períodos de até seis meses, mas podem durar até dois anos. O desafio logístico dos tratamentos a longo prazo atuais para a tuberculose é manter o paciente até o fim do ciclo, como explica Amrita Daftary, pós-doutora e membro do Centro Internacional de Programas de Cuidado e Tratamento em Aids, da Universidade de Columbia.
“Se você diminui o tempo do tratamento para 6 meses, você provavelmente vai ver mais pessoas completando o tratamento”, disse DAftary por telefone ao Bloomberg. “Seria um sucesso porque reduziria o estigma associado à tuberculose”.
Ao contrário dos tratamentos existentes, a nova combinação de drogas, apelidada de PaMZ, é feita para ser usada tanto nos resistentes às drogas de tuberculose quanto naqueles que não o são, dizem os cientistas.
Os componentes do combo incluem: PA-284, uma droga licenciada pela TB Alliance em 2002; moxifloxacina, um antibiótico desenvolvido pela Bayer que não havia sido aprovado anteriormente para o tratamento da tuberculose; e a pyrazinamida, uma droga usada atualmente nas terapias. Todos são usados oralmente.
Resistência
Embora apenas 9 pacientes com resistência aos medicamentos tenham sido incluídos no experimento, existe a evidência que ele é eficaz mesmo na população de estudos anteriores, disse Spigelman.
O próximo passo é garantir financiamento o suficiente para o teste final da combinação na fase 3 do experimento. O estudo vai envolver cerca de 1500 pacientes e incluir mais pessoas resistentes às drogas atuais.
“O grande desafio para desenvolver novos tratamentos para a tuberculose é a falta de financiamento”, disse o médico. “O dinheiro destinado a novas drogas tem caído com o tempo”.



