Tratamento antirretroviral não reduz o uso de preservativo entre os heterossexuais

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25/07/2014 – 10h10

Uma análise de todos os estudos que analisaram o comportamento sexual das pessoas após iniciarem o tratamento antirretroviral não encontrou qualquer indício da chamada “compensação de risco” – a ideia de que se as pessoas iniciarem o tratamento terão menos receio de transmitir a infeção, começando a ter mais comportamentos de risco. A “compensação de risco” é há muito um receio dos pesquisadores e gestores e é citada como um risco da expansão do tratamento.

Uma avaliação conduzida pelo US National Institute of Mental Health identificou 15 estudos desde o início dos anos de 1990 nos quais o uso de preservativo foi observado após o início da terapia antirretroviral (TARV). Estes estudos analisaram o uso de preservativo em homens e mulheres heterossexuais na África subsaariana.

No total, para ambos os gêneros e qualquer tipo de parceiros, os estudos concluíram que as pessoas que faziam uso da TARV usavam preservativos com uma frequência 80% superior à das pessoas que não estavam sob tratamento. Entre as mulheres, as taxas de uso de preservativos eram o dobro se comparadas com as mulheres que não estavam tomando a medicaçaõ, e entre os homens o uso de preservativo era 50% superior.

Esta associação é ainda mais forte quando se restringe a tipos específicos de parceiros: os quatro estudos que analisaram especificamente casais sorodiscordantes concluiu que o uso de preservativo aumentava em 160% em pessoas em tratamento e que subia a mesma percentagem (embora a um nível mais reduzido) entre pessoas casadas ou com parceiros fixos.

“São notícias encorajadoras para a continuação da expansão da TARV em países de médio e baixo rendimento”, afirmou Caitlin Kennedy.Ela sugeriu que ao invés de o “otimismo para o tratamento” causar complacência, a disponibilização da TARV pode conduzir a uma redução nos comportamentos de risco para o HIV, em parte devido a um contato médico e aconselhamento frequentes e, em parte, também devido a uma maior esperança no futuro e sensação de controle. “Eles sugerem que a frase ‘o tratamento é prevenção’ pode ser verdadeira de várias formas”, afirmou.

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