Terapia com células CAR-T para leucemia e linfomas pode chegar ao SUS em dois anos, informa Folha de S.Paulo

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 O tratamento com células CAR-T pode estar no SUS(Sistema Único de Saúde) em até dois anos para tratar linfoma eleucemia, estima o pesquisador Vauber Rocha, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP , envolvido no estudo. (A notícia veio da  sucursal de Campinas da Folha de S.Paulo e tem apuração e texto de Luís Eduardo de Sousa).

A terapia pode chegar ao sistema público a partir de um projeto incubado no campus de Ribeirão Preto da universidade,que desenvolveu uma produção própria das CAR-T, reduzindo os custos do tratamento oferecido no Brasil a preços milionários. As CAR-T são células do sistema imune (conhecidas como linfó-citos T) extraídas do paciente e modificadas para atacar tumores.

Hoje, três produtos são aprovados pela Anvisa: Kymriah (ti-sagenlecleucel), da Novartis, Yes-carta (axicabtageno ciloleucel),

da Gilead/Kite Pharma,Carvykti(ciltacabtagene autoleucel) da Johnson and Johnson.As terapias chegam a custar R$ 2 milhões.

Os estudos estão em fase de  teste clínico e devem ser apresentados à Anvisa em um ano, afirma Rocha.A estimativa foi compartilhada por ele durante o congresso Onco in Rio, organizado pela Rede D’Or nos dias 27 e 28 de março,no Rio de Janeiro. A terapia, que integra a chamada medicina de precisão, consiste em retirar células do paciente e modificá-las geneticamente para capacitá-las a destruir células cancerosas.

“Nós experimentamos uma nova forma de fazer e percebemos que os resultados ficaram parecidos ao que se tem na literatura a respeito. O Ministério da Saúde fez um investimento na pesquisa que viabilizou estudar um grupo de 81 pacientes”, diz Rocha.

Desse grupo, 20 apresentaram melhora. Rocha afirma que os resultados dos demais são sigilosos e só poderão ser divulgados

depois de entregues à Anvisa, no pedido de aprovação. Em seguida a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde).1,48 milhão é o valor investido no estudo da USP pelo Ministério da Saúde, de acordo com  a  pasta.

As pesquisas foram conduzidas nos hospitais de clínicas de Ribeirão Preto e São Paulo, ambos da USP, e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas),além do Hospital Sírio Libanês e do Beneficência Portuguesa.“O princípio é o mesmo, mas o vetor viral é diferente, os anticorpos são diferentes. É como se fosse uma nova receita para um mesmo conceito. Com certeza o valor deve ser bem inferior ao produto da indústria farmacêutica. ”Segundo Rocha, os pesquisadores também assinaram parceria

com a China para a importação das CAR-T direcionadas ao BCMA—essa tecnologia, já utilizada naquele país, incluiria a possibilidade de tratar também o mieloma. O Ministério da Saúde confirmou a injeção de R$ 1,48 milhão no estudo da USP e disse que busca “estruturar uma rede nacional de terapia celular , incluindo CAR-T.” A pasta reforça que a incorporação depende da análise da Conitec, após aval da Anvisa.

O projeto saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

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