SUS com qualidade só com mais investimento e inovação – Folha de S. Paulo

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O que de fato importa é ampliar o atendimento público utilizando toda a estrutura de saúde disponível do país
Redução do tempo de espera começa por atenção primária mais conectada tecnologicamente com a especializada

No artigo “Mais que dinheiro, o SUS precisa de valor” (1º/4), Marcelo Queiroga, o último dos quatro ex-ministros da Saúde do governo Jair Bolsonaro, comete o absurdo de criticar o investimento na saúde e apresenta soluções como os programas QualiSUS Cardio e QualiDot.

As avaliações técnicas desses programas revelaram, pasmem, aumento de gastos e diminuição da oferta de procedimentos. Justamente aqueles que negaram consensos básicos da ciência agora somam-se ao pré-candidato “Bolsonarinho” e falam em “plano real da saúde”. Outro dado da realidade foi trazido pela Folha: no caso da Tabela SUS Paulista, mais de 60% dos recursos são investimentos do governo federal.

O SUS bateu recorde de cirurgias eletivas em 2025, com 14,9 milhões de procedimentos, 42% mais do que 2022, graças à parceria com estados, municípios e hospitais filantrópicos estimulada pelo programa Agora Tem Especialistas. Isso é fruto de mais investimentos na saúde e inovação do modelo de financiamento, superando a antiga Tabela SUS. E só foi possível porque o governo do presidente Lula acabou com o teto de gastos e aumentou em 77% o orçamento da Saúde.

As inovações nos mecanismos de financiamento pelo Agora Tem Especialistas pavimentam um novo caminho para o SUS. O Ministério da Saúde criou combos de procedimentos —do diagnóstico à cirurgia— com valor duas a três vezes maior, oferecendo ao paciente pacote completo de cuidado no tempo certo. Carretas da Saúde levam procedimentos a regiões sem acesso, enquanto policlínicas ampliam a oferta regional.

O governo brasileiro assumiu o financiamento do transporte dos pacientes, incluindo quem precisa se deslocar para tratar câncer e hemodiálise, transformando um caminho de sofrimento em “Caminhos da Saúde” (o nome do programa). Por lei, estabeleceu-se o compartilhamento de dados entre gestores, que saiu de 700 milhões de registros clínicos, em 2022, para mais de 5 bilhões —fundamental para uma gestão compartilhada e o uso de inteligência artificial para acelerar filas.

Não se trata, portanto, de trazer uma lógica privada ao SUS, mas de ampliar o atendimento público utilizando toda a estrutura de saúde do país disponível. Indicadores confirmam a direção certa: em 2025, também houve recorde de exames (1,3 bilhão) e de internações (14 milhões).

Estamos superando o negacionismo e obscurantismo exacerbados, resquícios da pandemia e dos desmontes em série do governo anterior. Resgatamos a cobertura de todas as vacinas do calendário infantil —barrando o sarampo no Brasil, enquanto nos EUA os casos aumentam. Ultrapassamos a marca de 60 mil equipes de saúde da família, 27 mil médicos do Mais Médicos e tornamos o Farmácia Popular 100% gratuito.

Depois de reconstruir as bases mínimas, o SUS está pronto para avançar mais. A redução do tempo de espera por atendimento não será fruto de programas fragmentados, focados em uma especialidade. Começa por uma atenção primária mais conectada tecnologicamente com a especializada, pelo teleatendimento e por um Farmácia Popular ainda mais amplo. É com mais investimento e inovação.

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