Surtos de doenças nas Américas reforçam alerta sobre importância da vacinação, afirma diretor da OPAS, Jarbas Barbosa

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Diante de surtos de sarampo e febre amarela em vários países do continente, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, fez um apelo urgente na quinta-feira (24) para que os países reforcem seus programas de imunização e preencham lacunas de cobertura vacinal.

“Nas últimas cinco décadas, as vacinas salvaram 154 milhões de vidas em todo o mundo e reduziram a mortalidade infantil em 41% nas Américas”, destacou Barbosa em coletiva de imprensa realizada às vésperas da Semana de Vacinação nas Américas, que acontece de 26 de abril a 3 de maio. “Nosso progresso contra doenças preveníveis por vacinação exige um compromisso firme e sustentado com medidas de saúde pública adequadas”, alertou.

O cenário é preocupante. Em 2024, o mundo registrou mais de 359 mil casos confirmados de sarampo, e em 2025, seis países das Américas notificaram 2.313 casos, frente a 215 no mesmo período do ano anterior. Até o momento, três mortes foram confirmadas e uma está sob investigação. Barbosa ressaltou que o sarampo é uma das doenças mais contagiosas e lembrou que a cobertura recomendada para a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) deveria estar em 95%, percentual que muitos países não conseguem atingir.

Embora a cobertura vacinal tenha mostrado sinais de recuperação — em 2023, a primeira dose da vacina tríplice viral alcançou 87% de cobertura nas Américas, o melhor resultado desde 2019 —, ainda há lacunas críticas. Segundo a OPAS, 1,4 milhão de crianças não receberam sequer uma dose da vacina neste ano. Surtos foram registrados em comunidades onde apenas 3% a 7% da população estava suscetível.

Para tentar reverter esse quadro, a Semana de Vacinação nas Américas mobilizará esforços para aplicar cerca de 66,5 milhões de doses de diferentes vacinas, incluindo 2,7 milhões especificamente contra o sarampo. Desde seu lançamento, em 2003, a iniciativa já vacinou mais de 1,2 bilhão de pessoas no continente.

Febre amarela e outras ameaças

Além do sarampo, a febre amarela também preocupa as autoridades de saúde. Em 2025, quatro países da região notificaram 189 casos e 74 mortes pela doença — um aumento significativo em comparação com 2024, quando foram registrados 61 casos e 30 mortes.

A OPAS tem intensificado o apoio aos países, com ações para combater a hesitação vacinal, fortalecer programas de imunização de rotina e expandir o acesso às vacinas. Estratégias como microplanejamento, uso de registros eletrônicos de imunização e sistemas de informação geográfica têm sido fundamentais para identificar áreas de baixa cobertura e agir rapidamente.

Barbosa também destacou o papel essencial do Fundo Rotatório da OPAS, mecanismo que permite a aquisição conjunta de vacinas de alta qualidade a preços acessíveis. “Sem o Fundo, os países pagariam pelo menos 75% a mais pelas 13 vacinas mais utilizadas na região”, afirmou.

Vacinação: um compromisso contínuo

Embora a Semana de Vacinação nas Américas continue sendo uma ação fundamental, Barbosa enfatizou que os esforços não podem se restringir a essa iniciativa. A região tem um histórico de sucesso, tendo eliminado doenças como varíola (1974), poliomielite (1994), sarampo, rubéola, síndrome da rubéola congênita e tétano materno e neonatal.

Em 2024, as Américas recuperaram o status de livre do sarampo endêmico. No entanto, os surtos recentes mostram que a ameaça permanece e que é vital manter altas as taxas de cobertura vacinal para evitar o restabelecimento da transmissão endêmica.

“A Região das Américas é nossa e devemos protegê-la”, concluiu Barbosa. “Trabalhando juntos, durante a Semana de Vacinação e além, podemos construir uma região mais forte, segura e saudável.”

Semana de Vacinação nas Américas

A Semana de Vacinação nas Américas é uma campanha regional que busca promover o acesso equitativo à vacinação em todos os países do continente. Em 2025, sob o lema “Sua decisão faz a diferença. Imunização para todos”, a iniciativa visa atingir especialmente os públicos mais vulneráveis.

Redação da Agência Aids com informações da Opas

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