Suíça se aproxima das metas globais de controle do HIV; Argélia enfrenta desafios para ampliar a prevenção e conter o crescimento da epidemia antes do duelo que vale vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo.
Na madrugada desta sexta-feira (3), a partir da meia-noite (horário de Brasília), Suíça e Argélia entram em campo no Vancouver Place, no Canadá, pela segunda fase da Copa do Mundo. O confronto vale uma vaga nas oitavas de final e coloca frente a frente duas seleções que vivem momentos distintos não apenas no futebol, mas também na resposta à epidemia de HIV.
Enquanto a equipe suíça chega respaldada por uma estratégia consolidada de prevenção, diagnóstico e tratamento, a Argélia ainda enfrenta desafios para ampliar o acesso à prevenção e conter o crescimento do número de infecções.
Suíça se aproxima das metas globais de controle do HIV
Com uma população estimada em cerca de 18 mil pessoas vivendo com HIV, a Suíça é considerada uma das referências europeias na resposta à epidemia. Segundo dados do Unaids, 92% das pessoas que vivem com o vírus já receberam o diagnóstico, 98% estão em tratamento antirretroviral e 99% das pessoas em terapia alcançaram carga viral indetectável, indicadores que colocam o país muito próximo das metas globais 95-95-95.
Os dados mais recentes mostram que, em 2023, foram identificados 352 novos casos de HIV, mantendo uma incidência considerada estável, em torno de quatro novos diagnósticos por 100 mil habitantes.
A epidemia suíça permanece concentrada principalmente entre homens que fazem sexo com homens, grupo responsável por aproximadamente sete em cada dez novos casos registrados. Entre as mulheres, a transmissão por relações heterossexuais continua sendo a principal forma de infecção.
Assim como a seleção nacional mantém presença frequente nas Copas do Mundo, a política suíça de enfrentamento ao HIV também demonstra regularidade. O país investe continuamente em campanhas de testagem, diagnóstico precoce e ampliação do acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), considerada uma das principais ferramentas para evitar novas infecções.
No fim de 2023, cerca de 5.750 pessoas utilizavam PrEP na Suíça, sobretudo homens gays e bissexuais. As autoridades de saúde consideram a estratégia um componente essencial para manter a epidemia sob controle.
Argélia busca ampliar resposta diante do aumento dos casos
Do outro lado do confronto, a Argélia vive um cenário mais desafiador. Dados do Unaids apontam que o número de pessoas vivendo com HIV aumentou de 25 mil, em 2022, para aproximadamente 30 mil em 2024, crescimento de cerca de 20% em apenas dois anos.
Atualmente, cerca de 86% das pessoas que vivem com HIV conhecem seu diagnóstico e 79% recebem tratamento antirretroviral. Embora a prevalência na população geral permaneça pouco acima de 0,1%, especialistas classificam a epidemia como concentrada, atingindo de forma mais intensa grupos específicos.
Entre homens que fazem sexo com homens, a prevalência ultrapassa 13%, enquanto entre mulheres profissionais do sexo chega a 4,4%, evidenciando as desigualdades no acesso à prevenção e aos serviços de saúde observadas em diversos países do Norte da África e do Oriente Médio.
A resposta nacional ao HIV começou ainda na década de 1980, pouco tempo após a identificação dos primeiros casos no país. Nos últimos anos, a Argélia avançou na ampliação do acesso a tratamentos mais modernos graças a acordos internacionais que possibilitaram a distribuição de esquemas terapêuticos baseados em dolutegravir, um dos antirretrovirais mais eficazes atualmente.
Em 2023, mais de 1.200 pessoas receberam tratamento por meio de programas internacionais voltados à ampliação do acesso aos medicamentos. Apesar desse progresso, a prevenção segue sendo um dos principais desafios.
Diferentemente da Suíça, a profilaxia pré-exposição (PrEP) ainda não integra o sistema público de saúde argelino, e não há previsão oficial para sua incorporação, o que limita uma importante estratégia para reduzir novas infecções entre populações mais vulneráveis.
Dentro e fora de campo
Se o resultado da partida será decidido ao longo dos 90 minutos, a disputa contra o HIV exige um jogo permanente, baseado em prevenção, diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e combate ao estigma.
Suíça e Argélia chegam ao mata-mata da Copa do Mundo com objetivos semelhantes no gramado, mas apresentam realidades bastante diferentes quando o assunto é a resposta à epidemia. Enquanto um país se aproxima das metas internacionais de controle do HIV, o outro trabalha para ampliar o acesso aos serviços de saúde e fortalecer políticas de prevenção capazes de conter o avanço das novas infecções.
Redação da Agência de Notícias da Aids




