SOROPOSITIVA QUE SE INFECTOU EM SUA PRIMEIRA RELAÇÃO SEXUAL CONTA SUA HISTÓRIA NA NOVELA ‘PÁGINAS DA VIDA’ (TV GLOBO)

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27/01/2007 – 12h10

Ao lado, a soropositiva Jucimara de Almeida Moreira, conhecida como Mara

Virgem, evangélica e recém-casada. Jucimara de Almeida Moreira acreditava estar “imune” ao vírus HIV quando teve sua primeira relação sexual aos 18 anos de idade. “Eu achava que tava fora do grupo de risco porque era virgem, evangélica e eu achava que a Aids tava no centro da cidade [do Rio de Janeiro], entre as prostitutas, homossexuais, usuários de drogas”, lembra a soropositiva com agora 30 anos. Parte da sua história foi relatada pela própria em um depoimento levado ar na última quinta-feira (25/01), após a novela “Páginas da Vida” (TV Globo).

No testemunho de 1 minuto e 32 segundos, que demorou cerca de “40 minutos” para ser gravado, a soropositiva Jucimara de Almeida Moreira lembrou que, antes de se casar (em 17 de dezembro de 1994), fez diversos exames pré-nupciais, mas o anti-HIV “não foi pedido, pois achávamos [ela e seu marido] que estávamos fora do grupo de risco.” Três meses após o casamento, o marido de Jucimara teve pneumonia e os médicos descobriram que ele estava infectado pelo vírus da Aids.

“Ele faleceu 1 ano e 4 meses depois”, recorda. Ela lembra que, além da saúde debilitada, outro fator que agravou o quadro do seu marido foi a “depressão”, pois ele se culpava por ter infectado a parceira. “Eu também morro de medo de infectar o meu parceiro”, admitiu, a ativista da ONG Pela Vidda (RJ), em entrevista a Agência de Notícias da Aids. No momento, ela tem um relacionamento estável com um homem que não possui o vírus HIV.

No depoimento prestado ao folhetim da Rede Globo, que foi gravado na última segunda-feira (22/01), Jucimara fez questão de ressaltar que não guarda “mágoa” do marido. “Hoje doze anos se passaram. Estou num relacionamento sorodiscordante. Eu sou positiva, a pessoa com a qual eu me relaciono não é positiva”, explicou ao final da novela “Páginas da Vida”. Ela também lembrou, ao final de sua exposição, que é “essencial ter todo tipo de informação e nunca abandonar o preservativo”. “Porque vale a pena viver, vale a pena lutar pela vida”, finaliza.

Em 13 de maio de 2006, no “Dia das Mães”, a Agência de Notícias da Aids fez uma matéria com a ativista, na qual ela fala do sonho de ter um filho (leia). O desejo ainda não foi alcançado, segundo Jucimara, por causa da sua “altíssima” carga viral. Atualmente, ela enfrenta a chamada “falência terapêutica”, quando os remédios anti-retrovirais já não fazem efeito. Por isso, Jucimara de Almeida está usando um novo medicamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Não se sabe o efeito colateral desse medicamento”, afirma Jucimara, explicando o porquê de ainda não ter gerado um rebento.

Sobre a abordagem da Aids pelo autor Manoel Carlos, ela tece alguns elogios e outras tantas críticas menos favoráveis. “Ele [o autor de “Páginas da Vida”] abriu muito o foco dessa novela (alcoolismo, bulimia), ele perdeu um pouco o foco dessa questão”, avalia. Contudo, ela considera que abordagem “tá sendo bem legal”. Jucimara, que atualmente está de licença médica, cursou teologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e começou o tratamento com os medicamentos anti-retrovirais em 8 de agosto de 1995, 1 ano e três meses antes de ser aprovada a lei (nº 9.313/96) que garantiu o acesso universal a todas as pessoas vivendo com Aids.

Léo Nogueira

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