27/11/2014 – 17h20
Quase 100 jovens latino-americanos estão reunidos em Salvador (BA) no 3º Encontro Latino Americano de Jovens Vivendo com HIV/Aids. Eles querem construir uma agenda coletiva na luta contra a doença. "Não há diferença entre sonhar, perceber e realizar. Nós sonhamos com esse momento, percebemos que ele era possível e o estamos vivenciando", disse Oséias Cerqueira na abertura do evento, na manhã dessa quinta-feira (27).
Muito emocionado, Oséias (foto abaixo), responsável pela organização do evento, agradeceu a seus pais, que estavam na plateia. "Eles me criaram para a diversidade. Meu muito obrigado.”
Gladys Almeida, coordenadora executiva do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (Gapa-BA), também na mesa de abertura, deu todos os créditos aos jovens ali presentes. "É um evento construído por eles, desde a mobilização de recursos até a programação. Nós sempre incentivamos o protagonismo juvenil”, disse ela.
Nesta edição a comissão organizadora inovou na seleção dos participantes. Todos os segmentos de jovens estão representados. Há travestis e transexuais, jovens gays, mulheres, negros, usuários de drogas, entre outros. "Estamos ocupando os espaços na América Latina, essa é uma rede que surgiu no Brasil e vem se multiplicando pelo mundo", disse a jovem equatoriana Barbie Martinez, da rede Latino-Americana de Jovens Vivendo com HIV/Aids.
Do Ministério da Saúde, o técnico do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, João Geraldo, trouxe um vídeo com uma mensagem de boas vindas do diretor, Fábio Mesquita. "É muito importante que os jovens discutam aids e juventude. A epidemia é também concentrada nesta população. Não vamos conseguir o mundo livre da aids sem o protagonismo juvenil", disse Fábio Mesquita, no telão.
Nesta mesma linha, Clayton Eusébio, do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids Brasil), falou que redes e grupos têm papel fundamental no combate à epidemia. "Não vamos alcançar o fim dela se as perspectivas dos jovens não forem levadas em conta. A participação dos jovens vivendo com HIV e dos jovens das populações mais afetadas é imprescindível para o alcance das metas globais”, explica Cleiton. “O fortalecimento da sociedade civil é um dos elementos-chave para acabarmos com a epidemia da AIDS até 2030”, conclui.
Nesse encontro, esperamos conseguir encontrar soluções comuns que possam servir de referência para todos os países, como respeito aos direitos humanos, gratuidade do tratamento, prevenção universal – com foco nos jovens –, entre outros”, conta Javier Angonoa, consultor do Unaids para a Iniciativa Laços Sociaids, em Salvador. “Mas para tudo, precisamos entender e adaptar às especificidades locais e até regionais. A aproximação entre o Brasil e a América hispânica deve ser cada vez maior, pois os elementos que nos unem sócio e culturalmente são mais fortes do que os que nos separam”, diz.
Na primeira discussão do dia, os jovens fizeram um exercício lúdico para pensar onde eles estão como rede e onde o grupo quer chegar.
Alguns disseram que, neste momento, estão no processo de formação de novas lideranças. Outros buscam o diálogo honeste, maduro e abrangente entre governo e sociedade civil. Há ainda os que acreditam que o caminho para prevenir o HIV e lutar contra a discriminação seja a escola. Todos têm um único sentimento: a luta pela garantia dos seus direitos.
A sustentabilidade deste grupo como rede e sua estrutura serão discutidos nessa tarde. O evento segue até o dia 29, no Hotel Vila Velha.
Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)
* A Agência de Notícias da Aids cobre o evento com o apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unicef).
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