07/01/2014 – 13h45
Há muito o que fazer em 2014 para melhorar a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV e aids, especialmente porque 2013 foi um dos piores anos para o Brasil no enfrentamento da doença, segundo avaliação de ativistas, gestores e especialistas ouvidos pela Agência Aids nessa virada de ano. O ativismo não vai esmorecer. Quer para já campanhas mais abertas, que digam a que vieram e cumpram seu papel de fazer prevenção sem discriminar. Quer também mais oportunidades de tratamento, diálogo aberto com o governo, mais união e menos ego na luta contra a aids. A seguir, publicamos novos desejos, para este ano, de pessoas comprometidas com a epidemia. E republicamos os anteriores numa compilação que mostra que, se depender delas, 2014 será um ano de progredir com saúde. Confira:
Gabriela Junqueira Calazans, do Centro de Referencia e Treinamento DST/Aids e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: Espero o reconhecimento da epidemia concentrada, particularmente entre os homens que fazem sexo com homens, e o estabelecimento de medidas de prevenção, com campanhas de comunicação, na mídia geral e segmentada, que reforcem a necessidade de prevenção e de combate ao estigma e à discriminação aos soropositivos e à homofobia.
Espero o retorno do sexo, dos direitos sexuais e dos direitos humanos à prevenção, juntamente à incorporação de novas tecnologias de prevenção às estratégias de gestão do risco e o retorno do debate sobre hierarquia de riscos relacionadas às práticas sexuais no aconselhamento.
Espero o estabelecimento de uma articulação entre os diferentes entes federativos em prol da melhoria do cuidado às pessoas vivendo com HIV e aids, de forma a garantir maior acesso à testagem, maior conexão entre testagem e acesso ao tratamento, acesso adequado aos exames necessários ao monitoramento do tratamento e a todas as especialidades necessárias para o cuidado adequado.
Espero a implantação efetiva da notificação compulsória do HIV, como anunciado há um ano e a ampliação do diálogo com a sociedade civil e as diferentes esferas de gestão para o aperfeiçoamento das políticas de enfrentamento da epidemia no Brasil.
José Araújo Lima Filho, do Espaço de Prevenção e Asssistência Humanizada (Epah): Bem os meu sonhos são simples e vou lista-los pela ordem de desejos: 1- A cura (para todos) 2- O fim do preconceito para com as pessoas que vivem com HIV/aids ( para todos). 3- Politicas públicas de combate à aids e não de governo ( nas três esferas governamentais) .4- Que na minha cidade (São Paulo) haja mais disposição do governo para ouvir e não para impor. 5 –E solidariedade permeando todas as ações.
Jurandir Teles, educador e secretário executivo do Fórum Baiano de Ongs Aids: Que em 2014, apesar de termos um ano totalmente abarcado com atividades como Copa do Mundo e eleições, que o Ministério da Saúde reconheça como prioritário; que todas as PVHA (pessoas vivendo com HIV/aids) tenham, no mínimo, três consultas ao longo do ano; que seja erradicada a transmissão vertical, tanto para o HIV, quanto para sífilis; e que tenhamos profissionais técnicos nos serviços de atenção especializada capacitados para atender a todas as especificidades dos usuários, sejam eles LGBT, crianças, adolescentes, mulheres.
Andrea Paula Ferrara, do Grupo de Incentivo à Vida: Que diminua ainda mais a transmissão vertical do HIV; que sejam feitas campanhas efetivas para que populações mais vulneráveis, como os jovens, sejam atingidas, diminuindo assim a transmissão; e que aumente o número de profissionais de saúde, principalmente infectologistas, nos serviços especializados.
Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo: Que as demandas do movimento de luta contra a aids sejam levadas em consideração junto ao Ministério da Saúde; que o governo federal não seja conservador em suas campanhas; e que nas campanhas estaduais e federal a aids seja considerada um tema importante dentro dos programas de saúde.
Arnaldo Barbosa, advogado da ONG Sonho Nosso; Primeiramente, quero que aconteça a cura da aids. É um clichê, mas é o que eu gostaria, assim como milhares de pessoas. Segundo, se o primeiro não for possível ainda, que os portadores sejam vistos como gente, como ser humano, sem discriminação, assim como os demais pacientes. Em terceiro lugar, que o serviço de saúde seja definitivamente humanizado e isso é o que mais me preocupa hoje em dia.
Pierre Freitaz, da Rede de Jovens Vivendo com HIV e Aids: Que os ativistas da luta contra o HIV/aids dialoguem mais e deixem o ego um pouco de lado, para, assim, combatermos com mais pluralidade todos os nuances que estão em torno das pessoas que vivem com o vírus. Temos de cobrar das três esferas governamentais ações mais afirmativas de prevenção e essas devem ter uma linguagem que dialogue com as populações mais vulneráveis. A prevenção é mais que urgente e espero que tenhamos acesso a todos os métodos, em especial, à PEP (profilaxia pós exposição) e à PrEP (profilaxia pré exposição). Espero ainda que em 2014 os jovens sejam capacitados para serem agentes multiplicadores de prevenção entre jovens.
Ricardo Tomio, do GIV: Acesso universal à saúde para toda população; difusão de informações sobre HIV/aids em todos os meios de comunicação, sem restrição de campanhas, e também nas escolas; e diminuição do preconceito e da discriminação.
Eliana Battaggia Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo: Em 2014, eu desejo o fim do estigma ao HIV, aumento da cobertura da testagem, incorporação e adesão dos soropositivos ao tratamento. E sonho ainda com uma vacina preventiva.
Rosaria Rodriquez, voluntária do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA) da Bahia: Desejo mais pesquisas para uma vacina, seja ela preventiva ou para as pessoas já infectadas. Desejo também ter documentos brasileiros e poder continuar trabalhando em prol dos direitos humanos. Gostaria também que os escritores tomassem mais cuidados nas novelas, pois sempre acabam colocando atrizes negras como soropositivas. Desejo que as verbas para a aids sejam repassadas normalmente como sempre foi. Que o processo de aposentadoria não seja tão burocratizado… Desejo a mim uma boa saúde. Atendimento humanizado e medicamentos em todos lugares.
Fabrício Nunes, da Associação Orquídeas GLBT do Amazonas: Que 2014 não falte humanização na ações de prevenção e no atendimento; e que o governo federal seja menos hipócrita nas campanhas relacionados ao tema.
Claudio Celso Monteiro, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo: Espero que o ano de 2014 seja um ano politicamente determinante para o Brasil e que as próximas eleições promovam uma ampla renovação nos quadros legislativos, de forma que tenhamos parlamentares mais preocupados em legislar do que com barganhas e favoritismos políticos. Mas espero acima de tudo que a discussão de temas como a descriminalização do aborto e o enfrentamento à epidemia de HIV/AIDS sejam norteados pelas necessidades das políticas sociais e não pelo fundamentalismo religioso. Ou seja, espero que haja a valorização e a garantia da supremacia da laicidade estatal.
Davi Godoy, militante independente: Que os direitos humanos voltem para a pauta da prevenção do HIV; que as peças publicitárias do Carnaval e de todo o ano voltem a ter o sabor da liberdade de pensamento, sem as edições impostas por fundamentalistas. Somente assim, com respeito irrestrito à diversidade humana é que avançaremos na prevenção. E que venha a cura rapidamente.
Rubens Oliveira Duda, assessor de coordenação do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo: Acredito que a frase dita em 2000, pelo ativista José Stalin Pedrosa, está mais atual do que nunca: “A aids deve estar na agenda de prioridades da humanidade, se isso não acontecer, estaremos compartilhando fracassos e frustrações e contabilizando a cada dia novos casos da infecção pelo HIV”.
Toninho Alves, integrante da RNP+ do Ceará: Espero que as políticas de prevenção ao HIV primária e secundária avancem muito e que sejam melhorados aos exames e atendimentos de alta complexidade para as pessoas vivendo com HIV e aids.
Redação Agência de Notícias da Aids



