Declaração do deputado estadual na Alesc gerou revolta nas redes sociais e motivou nota de repúdio de entidades de saúde.
Uma declaração do deputado estadual Jessé Lopes (PL-SC) na tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) provocou forte reação nas redes sociais e levou à publicação de uma nota de repúdio por entidades de saúde. Ao comentar a distribuição do Kit Bloco Seguro, iniciativa da Prefeitura de Florianópolis para prevenção ao HIV durante o Carnaval 2026, o parlamentar afirmou: “Só lendo eu quase peguei aids”, além de classificar os materiais como “kit sexo”.
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A fala motivou resposta imediata do Gapa Floripa (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids), que classificou a declaração como “ofensiva, irresponsável e profundamente desinformada”. Segundo a entidade, ao associar materiais educativos e insumos de prevenção ao risco de infecção, o deputado reforça estigmas históricos, incentiva a desinformação e fragiliza políticas públicas baseadas em evidências científicas.
O Kit Bloco Seguro será distribuído em banheiros de bares e espaços públicos durante o período de Carnaval e inclui preservativos internos e externos, autoteste de HIV, material informativo sobre PrEP (profilaxia pré-exposição) e PEP (profilaxia pós-exposição) e gel lubrificante.
A prefeitura também prevê a instalação de dispensers com preservativos e informações educativas. Especialistas ressaltam que o uso de preservativos e de gel lubrificante reduz o risco de transmissão do HIV e de outras ISTs, como sífilis, gonorreia e hepatites, ao diminuir o atrito e evitar a ruptura do preservativo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Jessé Lopes voltou a criticar a ação, afirmando que a prefeitura “incentiva a promiscuidade” e comparando a iniciativa a “orientar um estuprador a usar camisinha”. O deputado também reclamou do barulho de ensaios de escola de samba próximos ao seu gabinete; a Protegidos da Princesa respondeu dizendo tratar-se de um projeto social com foco em educação, inclusão e formação cidadã.
Em nota oficial, a Prefeitura de Florianópolis afirmou que a capital é referência nacional em prevenção, cuidado e tratamento do HIV, com redução de 30% nos novos casos de infecção e 33% nos casos de aids entre 2019 e 2023, além de certificação inédita do Ministério da Saúde pela erradicação da transmissão vertical do HIV e da sífilis em 2025. O município destacou que a distribuição do kit integra políticas de saúde pública, utiliza recursos majoritariamente federais e amplia o acesso à prevenção por meio de parcerias com blocos, bares e organizações da sociedade civil.
Entidades de saúde também reforçaram que HIV não é transmitido por leitura, contato visual ou acesso à informação e que ter HIV não significa ter aids. Com tratamento adequado disponível pelo SUS, a carga viral pode se tornar indetectável, tornando o vírus intransmissível.



