Só 54% dos paulistanos tiveram acesso ao preservativo no último ano, revela pesquisa do Programa Municipal de DST/Aids-SP

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__Crédito das fotos: Edson Hatakeyama – CESCOM/SMS-G

27/06/2014 – 18h10

O Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo divulgou nesta sexta-feira (27) resultados do primeiro estudo sobre o comportamento sexual da população do município. Um dos eixos da pesquisa é o acesso ao preservativo e 46% dos entrevistados responderam que não tiveram acesso a ele no último ano. Entre as pessoas que tiveram acesso, 37% compraram a camisinha na farmácia e só 21% a receberam de forma gratuita.

A Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST/ Aids no Município de São Paulo (PCAP-MSP) ouviu 4 mil 318 pessoas de 15 a 64 anos nas cinco regiões da cidade de São Paulo. Dessas, 50% dos entrevistados eram homens e 50%, mulheres. Ainda 9% dos homens e 4% das mulheres já tiveram relação com pessoas do mesmo sexo alguma vez na vida. A cidade de São Paulo concentra 12,3% dos casos de aids do Brasil, segundo o boletim epidemiológico.

De acordo com o estudo, os paulistanos têm elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção do HIV/aids – 97% sabem que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV, mas apenas 30% acreditam que o tratamento antirretroviral reduz este risco. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido.

Das mulheres entrevistadas, 90% conhecem a camisinha feminina, mas só 12% delas tiveram acesso gratuito a esse insumo. Entre os 94% que responderam já ter iniciado a vida sexual, 39% usaram o preservativo na primeira relação. E, entre os 86% que relataram ter tido relação sexual no último ano, 87% dos fazem uso constante do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses), 44% com os parceiros fixos e 46% usaram o preservativo na última relação.

Teste para o HIV

Dos 4 mil 318 entrevistados, 62% nunca fizeram o teste de HIV e 46% não sabem onde fazer o teste gratuito. Dos 35% que fizeram, 42% são mulheres e 28%, homens.

Ainda 36% disseram ter feito o exame de HIV no último ano e, desses, 19% foram teste rápido. A maior parte das pessoas que se testaram no último ano é de jovens entre 15 e 24 anos (46%) e da raça/cor preto.

"Uma das hipóteses para a baixa testagem de HIV na cidade é que 89% da população classificam seu risco de contrair HIV como baixo ou inexistente. Já o alto índice de mulheres que são testadas para o HIV está relacionado ao pré-natal. No entanto, os homens que já fizeram o teste disseram que foi de forma espontânea, não precisou de pedido médico", disse a médica Cáritas Basso, do Programa Municipal.

Drogas

A pesquisa também revela dados sobre o comportamento das pessoas sobre efeito de drogas – lícitas e ilícitas. 93% dos entrevistados acreditam que o uso de álcool e outras drogas pode fazer com que a pessoa não use o preservativo durante a relação sexual e 23% confirmaram que já passaram por essa situação. Além disso, 82% dos entrevistados responderam ter feito uso de drogas pelo menos uma vez na vida e desses, 81% já usaram álcool, 20% maconha, 9% cocaína e 2 % crack.

Doença Sexual Transmissível (DST)

A PCAP revela também que 4% das mulheres e 8% dos homens tiveram pelo menos uma DST na vida. Desses, 80% fizeram algum tipo de tratamento, 84% das mulheres e 61% dos homens procuraram um médico. Dos homens que não buscaram atendimento médico, 23% procuraram ajuda com o farmacêutico.

Estigma e discriminação

O estudo se preocupou em avaliar como as pessoas se comportam com relação à discriminação das pessoas vivendo com HIV/aids. Uma das perguntas foi se um casal gay tem direito a adotar uma criança, e 75% disseram que sim, das pessoas que disseram sim, a maior parte é mulher. 90% também disseram que se soubesse que há uma criança com HIV na escola continuariam a mandar seu filho. Mas 29% não comprariam, por exemplo, legumes ou verduras de uma pessoa com aids.

Segundo a coordenadora do Programa Municpal de DST/Aids de São Paulo, Eliana Battaggia Gutierrez, a análise das informações ainda estão em fase de conclusão e auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. "A pesquisa pode nos ajudar a definir estratégias mais adequadas para essa epidemia em São Paulo. Sabemos que ainda é baixo o número de pessoas que fazem o teste de HIV, que usam preservativo…"

Metodologia

A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids foi realizada por técnicos do Instituto Zaitec entre novembro de 2013 e janeiro de 2014. Um dos objetivos foi conhecer os aspectos relativos à saúde sexual e reprodutiva, a cobertura de testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C e as situações de vulnerabilidade enfrentadas pela população nas diferentes regiões do município. Além disso, a pesquisa também possibilita a comparação de São Paulo com o restante do país no enfrentamento a aids, essa PCAP segue as mesmas variáveis da pesquisa nacional que também está sendo executada.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista:

Programa Municipal de DST/Aids-SP
Tel.: (11)3397-2000

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